Jhon questiona que a confissão do Ig0y não foi pontual, mas curiosamente não apresenta nenhum exemplo concreto que sustente essa afirmação. Ele não menciona nenhuma outra confissão feita pelo Ig0y além das que já mencionei, o que seria essencial para provar que estou equivocado. Falar que eu "não estou por dentro da situação" é fácil; difícil mesmo é apresentar evidências para validar essa acusação.
Sobre a curiosa demonstração de surpresa do Jhon em relação ao fato de Alexandre ter feito um vídeo, vale lembrar que Alexandre abordou o caso do Ig0y em uma live. Lives, afinal, também são vídeos. Além disso, Alexandre foi além e publicou um corte dessa live no canal de cortes do Jumentossauro, adaptando-o ao formato mais típico de vídeos do YouTube. O mais intrigante, porém, é ver Jhon expressar surpresa pelo fato de Alexandre ter feito essa live, sendo que ele próprio participou dela.
Ao tentar refutar o argumento de que toda a comunidade sabia que o Ig0y fake listava, Jhon cita como justificativa o fato de cerca de 300 pessoas acompanharem as lives do Ig0y. Vamos analisar isso: ele mencionou 300 pessoas, não 300 mil. É evidente que a comunidade de otakus falante da língua portuguesa que conhecia o Ig0y é imensamente maior, abrangendo um público vastamente mais amplo do que o nicho restrito das pessoas que assistiam ao canal.
Quando digo que toda a comunidade sabia, é claro que se trata de uma generalização, com exceções evidentes, como as que mencionei no próprio texto, incluindo pessoas extremamente burras e pré-adolescentes. Além disso, Jhon ignora um ponto crucial ao fazer essa falácia non sequitur: grande parte do público que acompanhava o Ig0y sabia que ele fake listava e simplesmente não se importava.
Conheço pessoas que assistiam às lives do Ig0y e afirmavam que ele fake listava. Para muitas delas, era evidente que uma parte significativa das obras que ele dizia ter completado, talvez 20%, 30% ou até mais, não correspondia à realidade. Ainda assim, essas pessoas o acompanhavam e algumas até lhe davam credibilidade, não pelas listas, mas pelos argumentos que apresentava sobre as mídias que dizia consumir. Fossem argumentos bons ou apenas polêmicos, fossem dele ou baseados em estudos de terceiros, o que o Ig0y entregava eram coisas que seu público queria ouvir. Ademais, havia uma parcela das obras que ele de fato havia consumido e sobre a qual podia falar com propriedade. Por isso, o seu conteúdo não pode ser invalidado totalmente por conta de uma fake list.
Além disso, muitos o seguiam pelas discussões sobre temas variados que ele abordava, como futebol e política, ou mesmo apenas pelo espetáculo, muitas vezes sem qualquer relação com listas de animes ou jogos. Em suma, a audiência do Ig0y era multifacetada, e reduzi-la à questão das fake lists revela uma análise superficial por parte do Jhon.
Sobre a vida social do Ig0y, o John começa misturando questões pessoais com acadêmicas, acusando-o de ser um péssimo aluno e de ficar em recuperação. Primeiro, não sei se o Ig0y era realmente um mau aluno, pois ele nunca apresentou seu histórico acadêmico, e o John não tem como provar essa alegação. Segundo, desconheço a existência de recuperação em cursos de Engenharia Elétrica em universidades federais. Terceiro, mesmo que o Ig0y fosse o pior aluno possível, seria inviável ele concluir o curso sem investir milhares de horas em casa resolvendo cálculos e estudando, além das muitas outras horas frequentando aulas na universidade. Quarto, é difícil acreditar que alguém considerado mau aluno tenha entrado jovem na universidade e conseguido concluir o curso no tempo regular, especialmente considerando que menos de 5% dos estudantes de engenharia alcançam esse feito em cinco anos.
Já discuti esse assunto da vida acadêmica do Ig0y com o Rodrigo. Considerando minha graduação em Engenharia Civil por uma universidade federal e o período em que também cursei Engenharia Elétrica, chegamos à mesma conclusão: ou o Ig0y fake listou sobre muita coisa, ou simplesmente não cursou Engenharia Elétrica. A única conclusão que jamais faríamos seria a de John, de que o Ig0y poderia ser um mau aluno e, por isso, não fake listar. Mais absurdo ainda é John acreditar que as pessoas desconfiavam do Ig0y apenas por desconhecerem que ele era um mau aluno, um tipo de pseudocult.
John debocha do trabalho do Ig0y, afirmando que não sabia que ele fazia muita coisa e reduzindo suas produções a um simples "reactzinho". No entanto, até mesmo para produzir um react minimamente decente, é necessário estudar o assunto a fundo e preparar um roteiro. Assim, mesmo que o Ig0y fake listasse, seus argumentos eram infinitamente mais sólidos do que os de John e TH. Além disso, o Ig0y não se limitava a um único tema no qual pudesse concentrar todo o seu tempo e energia. Ele abordava futebol, budismo, política, símbolos, entre outros assuntos, o que exigia um esforço considerável de pesquisa e dedicação. Isso tornava o trabalho do Ig0y incomparavelmente mais exigente e elaborado do que qualquer coisa feita por John ou TH.
John distorce o que eu digo ao fazer uma interpretação esdrúxula do meu texto, alegando que eu afirmo não haver argumentos. Quando digo que “é quase impossível alguém apresentar argumentos sobre suas tramas que o constranja, pois quase ninguém as assistiu”, refiro-me especificamente a argumentos baseados nas tramas de obras antigas que praticamente ninguém assistiu, e não a uma ausência geral de argumentos. O simples fato de essas tramas serem difíceis ou praticamente impossíveis de serem encontradas e consumidas já configura um argumento que aponta para a provável existência de uma fake list.
Em determinado momento do vídeo, John afirma que eu teria um ódio genuíno por ele, supostamente motivado pelo fato de ter tentado me entrosar com ele e ter sido bloqueado. A autoestima desse rapaz é realmente impressionante, mas devo dizer que essa alegação é uma completa novidade para mim. Não sabia que havia sido bloqueado pelo John e não me recordo de ter tentado me entrosar com ele em algum momento.
O fato é que, por ter mencionado John em meu texto sobre o Ig0y, achei justo enviar uma cópia desse texto para ele. E adivinhem: ele recebeu o texto nos comentários, o que significa que não estou bloqueado por ele, se é que algum dia estive. https://xss.now.cc/profile/Joh_n
John tenta argumentar que não se beneficiava da relação com o Ig0y, afirmando que já era famoso antes mesmo de sua existência. Mas, convenhamos: desde quando John é famoso? Sério mesmo? Ele sempre foi conhecido apenas como o palhaço das lives do Alexandre, alguém que fazia comentários absurdos, sem credibilidade e sem nada próprio que o destacasse. Na verdade, John era um dos que mais precisavam se apoiar no Ig0y para ganhar alguma visibilidade e credibilidade, além de alcançar um público novo e mais nichado. Isso, aliás, independe do tamanho de qualquer criador de conteúdo, já que até mesmo criadores grandes frequentemente buscam alavancar mais relevância associando-se a outros nomes.
John tenta justificar que o TH não se beneficiaria da relação com o Ig0y, argumentando que o canal dele tem o dobro de visualizações da END. Contudo, essa lógica é falha, pois mesmo que a END fosse menor, isso não impediria o TH ou qualquer outro criador de se beneficiar da associação. Além disso, uma análise simples dos números revela que a alegada superioridade do canal do TH não se sustenta no YouTube. Dados disponíveis no Social Blade mostram que os números medíocres do canal do TH não superam os da END.
No caso do PC Siqueira, Jhon demonstra uma evidente falta de capacidade interpretativa. O que fiz foi apenas um paralelo sobre a maneira como os amigos o abandonaram, não porque ele tivesse feito algo diretamente contra eles, mas por questões de imagem. Poderia, inclusive, ter citado outros exemplos semelhantes. Quero deixar claro que, em momento algum do meu texto sobre Ig0y, defendi o PC Siqueira, como Jhon tenta insinuar no vídeo. Para traçar esse paralelo, o teor das acusações feitas contra ele ou sua veracidade eram completamente irrelevantes.
No entanto, em relação ao caso do PC Siqueira, vale mencionar que todos os equipamentos eletrônicos encontrados em sua residência foram apreendidos pela polícia, incluindo celular, computador e HDs externos. Após perícias detalhadas, nas quais se buscou qualquer arquivo, mesmo que apagado, que pudesse servir como prova, o caso foi arquivado por falta de evidências, tudo isso antes do PC cometer suicídio. De acordo com o Estadão, “os peritos concluíram que o youtuber não armazenou ou compartilhou fotos ou vídeos de conteúdo pornográfico de menores de idade, não teve conversas com outras pessoas sobre o tema e tampouco fez buscas em sites de pesquisas a respeito do assunto”. https://www.estadao.com.br/emais/gente/pericia-policial-nao-encontra-provas-de-pedofilia-contra-pc-siqueira/?srsltid=AfmBOoqD2S_c-QGtMVH-6XQailDop8I7NdIXyJGpyDp7U7QeO8rNs01M
PC Siqueira foi acusado, por meio de um perfil anônimo no Twitter, de cometer “crime de pedofilia”, o que gerou uma intensa mobilização social e virtual, um lixamento, agravando seu estado depressivo. Após três anos sofrendo ataques à sua honra pelas plataformas digitais, ele acabou tirando a própria vida. Seu suicídio foi resultado do abalo psicológico causado pelo cancelamento e pelo abandono dos amigos.
Além disso, PC nunca foi investigado pela justiça pelo crime que John lhe atribui. O suposto delito investigado foi o recebimento, pelo WhatsApp, de uma foto nua de uma menor de idade, enviada pela própria mãe da garota, e a eventual armazenagem dessa imagem. O crime apurado foi o de armazenagem dessa foto.
Por fim, não me importa se PC era “Jack” ou não, pois não estou aqui para defendê-lo ou acusá-lo. Contudo, pelos áudios disponíveis (se é que são verdadeiros) nada indicava, para mim ou para a polícia, que ele tenha solicitado essa foto ou sentido qualquer tipo de prazer com ela. Além disso, não deveria me surpreender com o ímpeto feroz do John em atacar, cancelar e exibir sua virtude lacradora, sem se importar com as consequências de seus atos irresponsáveis.
Com relação ao texto da Manji, que o John desdenha por não ter lido, tenho plena certeza de que o Ig0y o leu, pois era de seu interesse. Quanto ao TH, também enviei o texto diretamente a ele por mensagem. Se o TH leu ou não, isso não altera o fato de que nem ele nem o Ig0y me refutaram, apesar do TH afirmar que o Ig0y teria “gabaritado” algo que nem ele próprio é capaz. Ademais, se sou tão “burro” quanto dizem, não deveria ser complicado responder a um texto meu.
Como o Ig0y poderia continuar na END como o John afirma, com o TH, um dos donos do projeto, declarando não querer mais nenhum tipo de contato com ele? Como seria possível sua permanência se o Over ameaçava sair caso ele continuasse? Não é evidente que a saída do Ig0y foi, na verdade, uma expulsão? Pior ainda, como o Ig0y poderia se defender em uma live onde o Over ou qualquer outra pessoa controlasse o que ele poderia dizer, o interrompesse constantemente e o acusasse?
Como o John afirma, o Ig0y estava sendo pressionado, encurralado segundo suas próprias palavras, para confessar. E, logo após sua confissão, foi traído por aqueles que o ameaçavam com o rompimento da amizade, sendo que a amizade foi cortada de qualquer forma. Mas será que ele realmente precisava confessar? Consigo pensar em várias formas de ele escapar da situação sem admitir nada. Por exemplo, ele poderia ter inventado uma desculpa qualquer (como alegar estar doente ou enfrentar um problema familiar), sair da live e voltar alguns dias depois, já tendo jogado o que fosse necessário para evitar suspeitas. Mas ele não fez isso. Ele confessou voluntariamente porque o fardo de sustentar a mentira se tornou insuportável. Isso não elimina o erro, mas expõe uma dimensão humana da situação que não pode ser ignorada.
Sobre o caso do Ig0y.
Uma defesa imerecida, mas necessária.
Nos últimos dias, como muitos já sabem, o Ig0y realizou uma live de longa duração, “live infinita”, na qual revelou ter incluído, de forma não totalmente honesta, em suas listas de completos um anime e dois títulos de jogos. Trata-se de uma confissão voluntária e pontual, acompanhada de justificativas que amenizavam o ocorrido. Contudo, o que poderia ser interpretado como uma atitude nobre, uma admissão sobre uma mentira boba, ganhou proporções inesperadas e provocou reações surpreendentes por parte de seus supostos amigos.
Logo após a revelação, surgiram vídeos de Alexandre Esteves, Jhon Wesley e TH. Esses “amigos”, em vez de tentarem ajudar, se empenharam em fazer demonstrações públicas de virtude enquanto procuravam se desvincular da imagem do agora “leproso” Ig0y, com dois deles chegando a afirmar que não manteriam mais qualquer tipo de contato e que as relações de amizade estavam encerradas.
É fato que toda a comunidade já sabia que o Ig0y praticava fake list há anos. Essa prática se tornava evidente diante das claras impossibilidades de consumir com qualidade o enorme volume de conteúdo que ele afirmava ter completado, incluindo animes, mangás, jogos, filmes e livros. Tudo isso enquanto ainda estava na casa dos 20 anos, cursava Engenharia Elétrica, escrevia para um blog, produzia podcasts, criava vídeos para seus canais em duas plataformas, participava de outros canais e mantinha uma vida social ativa. Além disso, quem realmente consumiu as obras mencionadas percebia que seus comentários eram vagos, superficiais e incoerentes, acompanhados de constantes fugas do assunto.
Outro ponto que tornava perceptível sua fake list era a atribuição de notas muito baixas à quase totalidade dos títulos, comportamento típico de quem tenta ganhar credibilidade assumindo o estereótipo do “crítico cult”. Claro que apesar do apelo dessa postura é totalmente equivocada e faz jus apenas a haters. Notas tão depreciativas não condizem com alguém que realmente aprecia mais de 2400 mangás e mais de 1300 animes. Quem demonstra tamanho desprezo por esse tipo de conteúdo jamais se obrigaria a consumi-lo em grande quantidade e, mesmo que tentasse se forçar, não conseguiria.
Como se esses pontos já não fossem suficientes, há também o fato de grande parte da lista dele ser composta por animes muito antigos. Animes antigos apresentam desafios significativos para serem encontrados na internet, e muitos deles são classificados como "animes perdidos", obras cujos arquivos originais ou cópias simplesmente não existem mais, nem mesmo no Japão.
Além disso, consumir animes antigos envolve outras dificuldades. Esses trabalhos foram produzidos em uma época distinta, utilizando tecnologias rudimentares e voltados para um público com expectativas e interesses diferentes. Os propósitos de exibição também eram outros, o que se reflete na forma como as tramas eram desenvolvidas e narradas. As histórias e seus temas, em geral, eram menos complexos e seguiam padrões que hoje podem parecer datados ou pouco atrativos para o público contemporâneo. No entanto, catalogar obras dessa maneira reforça a aura de cult e torna quase impossível alguém apresentar argumentos sobre suas tramas que o constranja, pois quase ninguém as assistiu.
Agora que deixei claro que não estou passando pano para o Ig0y, restam duas possibilidades: ou Alexandre, Thiago, Over e Jhon são as pessoas mais burras que já existiram (o que, no caso do Jhon, pode ser verdade), ou estão mentindo para seus públicos. Portanto, é importante notar que não se trata de uma questão de princípios morais genuínos que os levou a demonstrar aversão ao Ig0y. Ainda que fosse esse o caso, a postura farisaica de Alexandre, Jhon e TH seria igualmente desprezível. Logo, não é uma questão de mentiras, tampouco de certo ou errado; trata-se puramente de imagem. Mesmo uma confissão simples, como a feita pelo Ig0y, foi suficiente para abalar sua credibilidade. Consequentemente, aquelas raposas que estavam mais próximas dele o abandonaram, como se estivessem fugindo de alguém que tivesse contraído a peste negra, temendo que suas próprias reputações fossem prejudicadas.
Nenhum deles quer que o público imagine que também possam estar mentindo sobre suas listas, emulando emoções, comentando sobre obras que não conhecem profundamente. Vale ressaltar que Alexandre já foi desmascarado como alguém que praticava fake list. Milhares de episódios que ele afirma ter assistido e inclui em sua lista nunca foram, de fato, vistos por ele. TH, por sua vez, tem tanto medo de ser pego em contradições que mantém suas listas de animes e mangás privadas. Quanto ao Jhon, suas constantes afirmações absurdas tornam desnecessário sequer verificar sua lista, pois ou ele é o maior idiota que já existiu, ou não consumiu nada do que alega. Em suma, são três hipócritas da pior espécie.
O Ig0y foi explorado até o limite, com todos ao seu redor extraindo tudo o que podiam dele para se promoverem até o último segundo. Independentemente de ele praticar fake list ou não, é inegável que possuía uma imagem diferenciada, com apelo para um público específico que buscava exatamente algo como essa imagem. Além disso, associar-se a alguém com uma reputação de "cult" agrega credibilidade àqueles que não a têm. É irônico perceber que o mesmo fator que atraiu pessoas sorrateiras e oportunistas para perto do Ig0y foi também o que as afastou quando essa imagem foi arranhada. Para os seus amigos, a questão nunca foi o fato de o Ig0y praticar fake list; o problema foi ele ter admitido.
Um caso com similaridades peculiares ocorreu com a Ilha dos Barbados, composta por Rafinha Bastos, Cauê Moura e PC Siqueira. No momento em que PC Siqueira foi acusado, pouco importava se ele realmente tinha algum tipo de culpa ou qual era a gravidade das alegações. Para seus “amigos”, o único objetivo era proteger suas próprias imagens, mesmo que isso significasse tratar PC como um leproso. Embora PC certamente tivesse problemas de caráter e estivesse longe de ser perfeito, não merecia o desfecho que teve.
TH afirma em seu vídeo que o Ig0y não está sendo cancelado, mas desmascarado. Desmascarado por quem, se todos já sabiam? Talvez o Ig0y conseguisse enganar, no máximo, alguns pré-adolescentes. Fora esse público, era praticamente impossível que alguém mais fosse iludido. O fato é que o Ig0y está sendo vítima de um cancelamento iniciado por seus próprios amigos, mas que ultrapassou a bolha e se transformou em um verdadeiro linchamento virtual. Nesse processo, os oportunistas, sorrateiros e seres vis que se diziam seus amigos agora tentam extrair até o último like, a última visualização e o último engajamento possível, usando o nome e a imagem do Ig0y.
Vejam, o Ig0y não matou, não roubou, não adulterou. O grande crime vil do Ig0y foi mentir e, para seus amigos, principalmente confessar ao público que não jogou um simples jogo. O mais absurdo é assistir a vídeos desses mesmos amigos, com duração de quase ou mais de uma hora, tentando justificar que o cancelamento e o fim das amizades não estão relacionados ao fake list, quando a única "prova" apresentada é uma historinha sobre ter jogado ou não algo.
Mentiras são mentiras; abismos puxam outros abismos. Se o Ig0y dá detalhes e constrói narrativas, isso apenas o qualifica como um contador de histórias mais habilidoso ou um mentiroso mais convincente. Contudo, isso não muda o fato de que tudo gira, única e exclusivamente, em torno de uma fake list. Não se trata de um tipo diferente de mentira, como seus amigos tentam argumentar; ainda é a mesma mentira sobre um simples joguinho.
O Ig0y, esse sim, foi traído, encurralado, e os covardes não lhe deram sequer os meios para exercer seu direito de resposta aos ataques que sofreu. Perdeu seu canal, perdeu seus amigos e foi vítima de um golpe vindo de pessoas em quem confiava. Como se não bastasse, esses mesmos "amigos" ainda têm a audácia de tentar vender a imagem de vítimas, enquanto acusam o Ig0y, sem que ele possa se defender, de se vitimizar. Recusar-se a ouvir ou mesmo impedir que o outro tenha voz é uma prática ignorante recorrente de TH e Alexandre, algo que eu e Rodrigo também já enfrentamos.
Desde 2018, quando tive os primeiros contatos com o Ig0y, percebi um ar pedante nele; o Ig0y já vendia uma imagem de superioridade. Porém, a verdade precisa ser dita: ele não criou esse personagem sozinho, foi alimentado por aqueles que o elevaram à posição de “deus”. Justamente essas pessoas, principalmente TH e suas crias do Distopia, são as que hoje o traem. Quando o Ig0y afirma que nunca pediu para ser colocado nessa posição, fala a verdade, mas foi colocado ali por aqueles que viram nisso uma forma de se beneficiarem dele.
Eu tentei alertar o Ig0y sobre os bajuladores e mostrar a ele que os verdadeiros amigos eram eu e o Rodrigo, pessoas que falavam a verdade e desejavam que ele melhorasse. Infelizmente, o Ig0y escolheu os aduladores em vez daqueles que o viam como igual. Somente quem o vê como igual pôde ser seu amigo de fato e dizer a verdade. Amigo é quem critica para ajudar, torcendo pela mudança e pelo melhor, e não alguém como o Jhon, que declarou querer ver o Ig0y se dar mal e desaparecer da internet. Isso não é amizade e nunca foi; é apenas a frustração de um degenerado alucinado que viu a imagem do seu “deus” imaginário abalada perante o público.
Admirar um pseudocult por ser pseudocult e, pior, transformar-se em uma cópia do pseudocult, exige um nível extremo de anticult. Não tenho dúvidas sobre a desonestidade e a ciência do TH desde o início da farsa; a de Alexandre também oferece pouca margem para questionamentos. Já o Jhon é um caso à parte. Ele apresenta um nível altíssimo de burrice e devoção fanática, o que até permite considerar alguma ingenuidade de sua parte. No entanto, as coisas que o Ig0y dizia só enganavam quem não tinha absolutamente nenhum conhecimento. Assim, para que Jhon fosse honesto em relação ao Ig0y, ele teria que ser desonesto com todo o restante.
Por mais que o Ig0y fosse uma farsa, ao menos era uma farsa. Pior são os falsos amigos que aspiravam a isso, mas sequer tinham capacidade para tal. Não há dúvidas sobre a mediocridade de seus supostos amigos como produtores de conteúdo, especialmente do parasita invejoso chamado TH. Seu conteúdo se resume a reações a materiais de terceiros, sempre buscando denegrir e menosprezar os outros da forma mais chula e falaciosa possível. Além disso, seu trabalho é tecnicamente amador: a mixagem de som é péssima, as imagens nada acrescentam e, pior, TH não demonstra a mínima disposição para estruturar ideias, preparar roteiros ou apresentar argumentos sólidos em seus vídeos. Sua preguiça vai ao ponto de depender de "amigos" que fazem comentários completamente idiotas, o que só agrava a falta de qualidade.
Infelizmente, Alexandre, TH e Jhon foram uma péssima inspiração e influência para o Ig0y, que, verdade seja dita, também não produzia conteúdos com propostas muito superiores. Contudo, ao menos era um bom orador e tinha uma produção técnica infinitamente melhor, incomparável ao que TH e Jhon entregam. O mais irônico é ver esses mesmos amigos agora criticando o trabalho do Ig0y, chamando-o de preguiçoso, como se tivessem qualquer moral para fazer tais acusações.
É fato que o Ig0y rapidamente compreendeu seu papel como criador de conteúdo, e esse papel era, acima de tudo, de entreter seu público com um show. Se, para isso, ele criou um personagem, não há nada de errado, pois entregou exatamente o que se propôs a fazer e aquilo que queriam dele. Além disso, não é como se a maioria dos criadores de conteúdo não recorresse a personagens para vender seus programas. Alguém realmente acredita que a maioria deles é exatamente a mesma pessoa quando as câmeras estão desligadas?
Isso não significa que eu apreciasse o personagem criado pelo Ig0y. Contudo, certamente não faço críticas a isso como seus "amigos", que, após anos de convivência e observando tais diferenças, só agora decidem expor essas questões publicamente. É risível, por exemplo, vê-los reclamarem apenas agora do fato de o Ig0y falar em público de maneira distinta de como se comunicava em particular com eles, algo que, convenhamos, não deveria surpreender ninguém. Uma crítica à maneira como o Ig0y se expressava poderia vir de qualquer pessoa e seria justa, mas, vinda dos próprios amigos e nesse momento de queda do Ig0y, revela-se uma atitude sorrateira e de extremo mau-caratismo.
Em termos de personagem, é inegável que o Ig0y possuía uma grande qualidade: a capacidade de atuar com inteligência e eficácia. Ele pode não ser médico, advogado ou piloto de avião, tampouco ter estudado profundamente qualquer dessas áreas, mas demonstrava uma habilidade excepcional para interpretar papéis e transmitir credibilidade. Já seus amigos, ao que parece, aspiram ser como Frank Abagnale Jr., mas não chegam sequer a ser como Leonardo DiCaprio, que o interpretou.
O TH, em seus vídeos, atribuiu a culpa pela farsa do Ig0y ao fato de ele, supostamente, "gabaritar apenas os burros", citando como exemplo o Marco, do Intoxicação Anime, eu e o Rodrigo. Primeiramente, burro é quem acreditou que o Ig0y não praticava fake list. Então, decida-se, TH: você é o maior tolo da face da Terra ou um mal caráter oportunista? Você acreditava no pastor mirim? Eu nunca fui devoto dele. Em segundo lugar, essa declaração do TH vem logo após ele mencionar a questão da manji. Curiosamente, tanto ele quanto o Ig0y nunca responderam ao meu textão sobre o tema. Em terceiro lugar, ser chamado de burro pelo o arrogante TH é, na verdade, motivo de orgulho. Eu me preocuparia se uma "ameba" como ele conseguisse me considerar inteligente. O TH me chamar de burro apenas reforça que estou no caminho certo.
Sobre o Marco, é desnecessário defendê-lo, pois ele é um gigante. Seu sucesso duradouro é fruto de sua inteligência e capacidade de produzir conteúdo de alta qualidade. Entretanto, não posso deixar de apontar que essa atitude do TH é mais uma demonstração clara de recalque. Ele é um incapaz que jamais alcançará os feitos do Marco, limitando-se a produzir acusações tóxicas e infrutíferas que em nada contribuem.
Falando especificamente sobre o conteúdo do Ig0y relacionado a animes, já escrevi alguns textos contestando os vídeos que ele produzia. Creio que um dos principais equívocos do Ig0y estava na forma como, em algumas ocasiões, ele direcionava ataques a outros criadores de conteúdo da área. Por vezes, esses ataques eram conduzidos de maneira equivocada e desrespeitosa, o que, acredito, acabou prejudicando a comunidade em certa medida.
Outro ponto em que acredito que o Ig0y agia de forma equivocada era ao ceder espaço e pagar "pedágio" para os falsos moralistas do politicamente correto. Como já disse ao Ig0y em certa ocasião, embora o politicamente correto tenha suas raízes, em essência, na esquerda, acenar virtude para essa postura e defendê-la não é, de maneira alguma, uma questão exclusivamente relacionada a ser de esquerda ou de direita. Trata-se de algo mais profundo, que transcende ideologias e revela uma postura de conformismo com narrativas que nem sempre refletem autenticidade ou coerência.
Além disso, sem desconsiderar os danos que críticas infundadas possam causar, ainda vejo a participação do Ig0y como positiva. Afinal, independentemente de falarem bem ou mal de animes, o mais importante é que se fale, pois essa troca mantém a comunidade ativa e engajada. Perder a voz do Ig0y é perder uma chama que aquecia a comunidade e contribuía para mantê-la viva.
Ainda assim, apesar das críticas que fiz e dos erros que ele possa ter cometido, lamento profundamente a possibilidade de o Ig0y deixar de produzir conteúdo. Nunca foi minha intenção, ao apontar suas falhas, silenciá-lo ou desmotivá-lo. Meu objetivo sempre foi que ele evoluísse e passasse a enxergar as questões sob outras perspectivas.
Quanto aos demais conteúdos do Ig0y que não estavam relacionados a animes, acredito que ele estava em busca do seu caminho como criador de conteúdo, o que é perfeitamente compreensível. Diversificar é, sem dúvida, uma parte essencial da sobrevivência e da evolução. No entanto, é preciso cautela. Assim como não se cruza seres humanos com chimpanzés, ou não se produz água sanitária onde se faz Coca-Cola, há limites para a diversificação. Ampliar o leque de conteúdos e trazer quadros diferentes é algo que apoio totalmente. Contudo, mudar completamente o foco de um canal é um risco considerável, quase sempre um caminho seguro para perder público e fracassar, salvo raras exceções.
Estou preocupado com o Ig0y, o que, ironicamente, me coloca em uma posição inesperada. Eu e Rodrigo sempre fomos vistos como os arqui-inimigos do Ig0y, e há razões para isso. Ainda assim, é curioso pensar que justamente nós, e não seus "amigos", estamos demonstrando preocupação neste momento. O fato é que o Ig0y sumiu. Ninguém sabe como ele está lidando mentalmente com tudo o que aconteceu, nem quais serão os próximos passos após anos investindo nesse trabalho.
Preocupo-me não apenas com seu futuro profissional, mas também com seu bem-estar psicológico. Viver anos interpretando um personagem e construindo amizades frágeis pode ter um peso imenso. Acredito sinceramente que o Ig0y precisará de ajuda psicológica profissional por um longo tempo para lidar com as consequências de tudo isso.
Pelo menos o personagem do Ig0y era o do sábio da corte, enquanto o do Alexandre assumia o papel de rei. Já o Jhon, por outro lado, parece ter se contentado com o papel de bobo da corte. É difícil imaginar alguém que mereça esse tipo de personagem, muito menos alguém que se submeta a interpretá-lo por tanto tempo.
Antes de encerrar este texto, quero fazer alguns esclarecimentos. Quando afirmei que a confissão do Ig0y foi voluntária, quis dizer que ele não foi coagido com uma arma ou qualquer tipo de chantagem direta. Também não acredito na versão apresentada por seus "amigos", que alegaram que ele teria confessado apenas por medo de ser desmascarado. Certamente havia outras formas de o Ig0y lidar com essa situação. Sua confissão foi voluntária no sentido de que partiu dele, como uma tentativa de aliviar parte do fardo que carregava. No entanto, não foi feita sem influência ou pressão.
Houve, sim, uma coesão social por parte de seus "amigos", uma pressão indireta que o levou a se expor. Nesse contexto, fica evidente o caráter traiçoeiro da situação. Aqueles que o incentivaram a confessar, ou criaram o clima para que isso ocorresse, foram os mesmos que o traíram logo em seguida. Tudo aponta para uma cilada meticulosamente planejada, na qual o Ig0y foi levado a cair. Esses "amigos", que aparentemente já buscavam se livrar dele, aproveitaram-se dessa confissão para sacrificar o Ig0y e dividir o que restou de seu legado. Quando ele deixou de ser útil para eles virou um peso, e o "sacrifício" tornou-se o caminho mais conveniente, logo os vídeos tinham o objetivo claro de atacar e destruir o Ig0y.
O Rei estava nu, mas isso não era um problema enquanto todos afirmavam que apenas os inteligentes podiam enxergar suas vestes. Não havia, de fato, pessoas inteligentes, apenas tolos desesperados por aparentar inteligência.
Nota Inicial.
Gostaria de deixar claro que este texto é totalmente respeitoso ao Ig0y e à sua religião. O que segue são apenas minhas opiniões em resposta aos argumentos apresentados no vídeo dele.
Além disso, já o convidei para uma conversa em dezembro, com o intuito de compartilharmos nossos pensamentos sobre o tema. Ele justificou que não poderia participar naquele momento e sugeriu que eu escrevesse um texto. Na época, recusei, pois sabia que seria algo extenso. Contudo, devido à recorrência da polêmica, decidi expor alguns dos meus pontos, reagindo ao novo vídeo dele. Quero ressaltar que o Ig0y tem todo o direito de não querer discutir diretamente comigo, assim como eu tenho o direito de reagir ao vídeo e expressar minhas opiniões de forma saudável e respeitosa.
Registro aqui que tudo o que escreverei neste texto também diria pessoalmente. Portanto, se ele achar necessário e desejar conversar em outro momento, estarei aberto a isso.
Contextualização.
Antes de entrar nos pontos principais do vídeo, é importante contextualizar a situação. A polêmica gira em torno do uso da manji (suástica) nas redes sociais do Ig0y. Não estou dizendo que a culpa seja da vítima, mas tal exposição o coloca em uma posição vulnerável, o que é, no mínimo, uma irresponsabilidade. Além disso, duvido que o Ig0y seja ingênuo a ponto de não prever que essa escolha geraria certos tipos de comentários. Isso sugere que ele buscava provocar algum tipo de reação. Para ilustrar: é como alguém entrar em um estádio de futebol com a camisa do Palmeiras no meio da torcida organizada do Corinthians, alegando que o significado daquela camisa é outro.
1. Tokyo Revengers.
Em um momento do vídeo, Ig0y cita o anime Tokyo Revengers. Embora esse ponto não seja central para os argumentos que ele desenvolve, considero relevante abordar essa obra, pois ela também enfrenta polêmicas devido ao uso da suástica.
Toda obra carrega mensagens, sejam intencionais ou não, explícitas ou subliminares, e reflete valores e conhecimentos. Tokyo Revengers transmite algumas mensagens problemáticas, não tanto pelo uso do símbolo, mas por outros elementos que remetem a grupos ideológicos europeus das primeiras décadas do século XX.
Para que meu ponto sobre outros elementos seja melhor compreendido, recomendo fortemente o filme A Onda, cujo enredo é baseado em um experimento social real ocorrido nos Estados Unidos, em uma escola de Palo Alto, Califórnia. A trama segue um professor anarquista de ciências sociais que decide aplicar um experimento com sua turma, composta por alunos de diferentes orientações políticas, classes sociais e comportamentos. Ao longo do filme, o professor consegue converter toda a classe ao autoritarismo, e a situação se espalha pela escola, saindo totalmente de controle, a ponto de nem mesmo o professor conseguir pôr fim ao movimento sem enfrentar resistência dos próprios alunos.
Cito esse filme porque ele ilustra claramente as origens das ideologias totalitárias, com elementos que também estão muito presentes no anime Tokyo Revengers. Aspectos como: padronização (todos se vestirem iguais), organização, hierarquia, violência, ações em conjunto, identidade comum, sentimento de pertencimento a algo e a figura de um líder carismático, entre outros. Podem conferir o filme no link: A Onda.
Outro aspecto relevante é o contexto cultural japonês. Embora não possamos generalizar, a sociedade japonesa apresenta características etnocêntricas, homogêneas e, muitas vezes, xenófobas. Orgulhosa de sua identidade, essa sociedade costuma não ter uma visão favorável ao que é diferente. Além disso, o que seria extremamente estranho no Ocidente é comum no Japão, onde essas práticas são defendidas como formas de preservar a igualdade e o pertencimento. Nas escolas japonesas, por exemplo, há inspeções rigorosas, como a verificação da maquiagem, das sobrancelhas, do ajuste das roupas e até mesmo da cor das roupas íntimas, que devem ser brancas. Na vida adulta, a padronização continua, deixando pouco espaço para a individualidade. Algumas empresas chegam a medir até a cintura de seus funcionários. Portanto, é impossível falar ou escrever sobre algo que não se conhece ou não se vive, e muitas mensagens presentes nos animes refletem aspectos negativos dessa realidade social japonesa.
Também é importante lembrar que o Japão foi membro do Eixo durante a Segunda Guerra Mundial, um período marcado por ações terríveis. Até hoje, o país enfrenta tensões com a China e a Coreia, e ocasionalmente surgem autores e obras que se envolvem em controvérsias. Um exemplo disso é a obra Again in Another World, polêmica por exaltar um militar japonês da Segunda Guerra, escrita por um autor que também fez postagens em seu Twitter com insultos discriminatórios contra chineses e sul-coreanos.
Voltando a Tokyo Revengers, o ponto mais problemático desse anime é a forma como retrata as gangues, apresentando uma imagem romantizada e relativamente positiva delas, o que certamente pode atrair jovens. Esse é, na verdade, o cerne da fundação de partidos totalitários, representados pela SA na Alemanha e pelas Camisas Negras na Itália, que eram essencialmente gangues padronizadas e violentas. A situação se torna ainda mais preocupante quando os membros da gangue principal do anime adotam visuais que evocam a estética da SS, com cabelos loiros e roupas pretas, reforçando uma associação perigosa com essas ideologias.
Aqui surge a questão: qual é o uso religioso de uma suástica em uma gangue de rua? Será que o autor desconhecia o outro significado desse símbolo? Alguém realmente acredita que os produtores e diretores desse anime, cuja primeira temporada tem 24 episódios, pensavam que a obra ficaria restrita ao Japão? Embora eu defenda o princípio de que todos devem ser considerados inocentes até que se prove o contrário, me parece altamente improvável que a mensagem, no contexto da obra, não seja, no mínimo, ambígua.
Apesar dessas críticas, reconheço que, se desconsiderarmos esses aspectos, Tokyo Revengers pode ser uma obra divertida e envolvente. Contudo, é crucial que o público tenha senso crítico ao consumir esse tipo de conteúdo.
2. O perfil é meu, faço o que eu quiser.
Essa afirmação é, no mínimo, arrogante e imprecisa. A liberdade nunca é absoluta. Nenhum indivíduo tem liberdade para tudo, pois ela precisa ser limitada para garantir sua própria existência. Esse é o princípio fundamental da liberdade. Por acaso alguém pode ter a liberdade de possuir escravos? Quando alguém incomoda outra pessoa agredindo-a, seja por ações, palavras ou publicações, ultrapassa o limite, e a lei deve intervir, com o Estado punindo essa ação. Por isso, é proibido defender atos criminosos.
Não basta apenas seguir as normas da plataforma. É necessário também respeitar as leis do Estado. Mesmo quando uma ação não está explicitamente tipificada, ela deve seguir os princípios da lei. E além disso, existem normas que não são escritas, mas que fazem parte da convivência social: leis de boa convivência, que exigem apenas bom senso e discernimento. Certas atitudes simplesmente não são apropriadas, e quem as adota está errado.
Por fim, é incorreto afirmar que não há culpa se a intenção não for maliciosa. Se uma ação causa dolo a um indivíduo, a uma organização, à sociedade ou ao ambiente, e se o autor tinha consciência dos riscos envolvidos, ele assume a responsabilidade e, portanto, tem culpa.
3. Lei mundial.
Este tópico será breve, pois, na realidade, não existe uma "lei mundial", como o Ig0y menciona no vídeo. O Tratado de Paris, firmado após a Segunda Guerra Mundial, não é uma lei mundial e teve como foco principal resolver questões territoriais. Não há evidências de que o tratado tenha estabelecido ou abordado algo relacionado ao uso da suástica. Contudo, após a guerra, muitos países passaram a proibir o uso do símbolo em sua forma associada ao regime alemão. Paralelamente, a suástica invertida continuou sendo utilizada em contextos religiosos, como já ocorria historicamente, a fim de se distanciar das conotações ligadas a esse regime.
4. Origem do termo "suástica".
Será mesmo que o termo suástica não possa ser usado para definir o símbolo adotado pelo Nacional-Socialismo? Quantas pessoas no Ocidente, além de estudiosos, conhecem sua origem etimológica? O Ocidente associa o termo suástica aos indianos? No fim, o que importa não é a origem da palavra, mas o significado que ela adquiriu ao longo do tempo. Usar argumentos de origem para justificar o uso correto ou incorreto de suástica ou manji é incorrer em uma falácia etimológica, ou seja, uma falácia de origem.
Atualmente, no Ocidente, a palavra suástica está muito mais associada àquele regime totalitário, enquanto manji mantém vínculos com culturas e religiões orientais. Por isso, para quem conhece essa diferença, o uso de manji (como é chamado no Japão) em vez de suástica ao se referir ao símbolo em contextos religiosos ou culturais é mais adequado e respeitoso com as tradições budistas e hinduístas, pois dissocia o símbolo de um uso histórico alheio a fins religiosos e evita interpretações equivocadas.
Ainda assim, desde que não cause ofensa, não vejo grandes problemas em que pessoas leigas usem o termo suástica, já que ambos se referem ao mesmo símbolo. No entanto, se for alguém esclarecido e com a intenção deliberada de provocar dubiedade ou polêmicas, quem optar por "suástica" não pode se eximir de críticas severas.
A propósito, palavras mudam de significado com o tempo. Por exemplo, o termo "cristão" foi inicialmente usado de forma pejorativa (como escárnio, difamação e desmerecimento) pelos opositores dos seguidores de Cristo. Então, por que a palavra, cunhada por seus adversários e apropriada do nome de seu líder, não deveria ser utilizada? Da mesma forma, "protestante" também foi criada pelos católicos como uma forma de ofensa. No entanto, ambas as palavras perderam seu tom original. Alguém, hoje, se sente ofendido ao ser chamado de protestante ou cristão?
Posso dizer que senti uma forte lacrada do Ig0y no vídeo, ao falar de forma incisiva dos “inimigos britânicos e americanos, grandes empresários maldosos, banqueiros”, os quais, segundo ele, teriam se apropriado do termo indiano “suástica” para associá-lo de maneira vil ao símbolo daquele regime europeu. A alternativa seria os ocidentais darem um nome britânico a um símbolo usado por orientais e ainda serem acusados de anglicismo? Nem mesmo professores de história do ensino médio lacram tanto.
Um adendo, não que isso seja realmente importante, pois estou construindo minha argumentação partindo do pressuposto de que a pesquisa etimológica do Ig0y seja verdadeira. Contudo, em minhas pesquisas, não encontrei absolutamente nada que indicasse que essa palavra tenha sido atribuída por americanos e ingleses com a emancipação da Índia da Inglaterra no pós-Segunda Guerra Mundial, muito menos com o intuito de difamar os indianos. Além disso, pelo que estudei, o termo suástica já era de uso corrente muito antes daquele partido adotar o símbolo. Também não faz sentido atribuir esse nome ao símbolo com conotação difamatória antes da guerra, pois, no mundo ocidental, a suástica era sinônimo de redenção e era amplamente admirada.
Quem realmente fazia a correlação da suástica com os indianos eram os nacionais-socialistas, devido à ideia de que os arianos eram puros, os indo-europeus legítimos, sem misturas. Os indo-europeus (arianos) eram considerados o povo que deu origem ao homem branco, desde parte dos indianos (das castas superiores), passando pelos iranianos, de onde vem o termo ariano, até o homem europeu. Escreveu Adolf Hitler no livro Mein Kampf: "Como nacional-socialistas, vemos em nossa bandeira nosso programa. No vermelho, a ideia social do movimento; no branco, a ideia nacionalista; e na suástica, a missão de lutar pela vitória do homem ariano e, ao mesmo tempo, pelo triunfo da ideia do trabalho produtivo, ideia que é e será sempre anti-semita."
Outra questão etimológica interessante é o uso da palavra "denegrir". Recentemente, uma repórter foi duramente repreendida por um colega ao utilizar esse termo em uma reportagem ao vivo. Logo depois, ela se desculpou de forma vexatória. O problema é que a palavra "denegrir" não possui nenhuma conotação racial, nem há qualquer relação etimológica com esse contexto. "Denegrir" vem do latim denigrare, sendo uma palavra muito mais antiga do que o Brasil e seus problemas atuais. Link da reportagem.
Neste ponto, ao defender o uso de um termo, surge outra falácia além da etimológica: a falácia semântica. Alguém pode criticar meu português "mal escrito", apontando pontuações inadequadas, concordâncias fora da norma ou falta de acentuação, mas nada disso constitui um erro de fato, desde que a mensagem seja compreendida pelo interlocutor. O máximo que se pode dizer é que o uso está fora da norma culta. Portanto, não importa tanto se o símbolo é chamado de "manji" ou "suástica", o que importa é que, se o interlocutor entender a mensagem, ela está correta. Caso contrário, se houver ambiguidade ou falta de entendimento, a culpa é do remetente, que deve fornecer uma explicação mais clara. Erra quem tenta impor, na comunicação, normas que não fazem parte do entendimento comum de determinada cultura ou linguagem. Por fim, só para constar, o termo "suástica" tem registros com mais de 2.000 anos de história.
5. Monark é retardado... Quem vai defender a suástica?
Na antiguidade, na Grécia, existia uma sociedade de ascetas com práticas morais valorosas. Eram místicos, filósofos, pensadores, músicos, astrônomos e, sobretudo, matemáticos. Os membros dessa sociedade eram conhecidos como pitagóricos, em homenagem ao seu fundador, Pitágoras. A ele são atribuídas várias descobertas e contribuições importantes, como o famoso teorema que leva seu nome, a relação matemática nas notas musicais, e também a identificação dos cinco poliedros regulares. Além disso, Pitágoras foi o primeiro a concluir que a Terra era esférica, desafiando as crenças da época.
Os pitagóricos consideravam o dodecaedro, um dos cinco poliedros regulares, composto por 12 pentágonos, como o mais harmonioso e soberano dos sólidos. Para eles, o dodecaedro representava o universo ou o cosmos e era mantido em segredo por ser considerado perigoso demais. O pentagrama, também conhecido como a estrela de cinco pontas, está intimamente ligado ao pentágono regular que compõe o dodecaedro, bastando unir seus vértices por diagonais. O pentágono contém uma quantidade impressionante de números áureos (a divina proporção, o número da beleza) e de retângulos de ouro. As aparições desse número são tantas que é difícil contá-las.
O pentagrama, portanto, era o emblema da escola de Pitágoras e o símbolo utilizado pelos matemáticos para se reconhecerem. Possivelmente, ele foi o primeiro símbolo da matemática, e eu não consigo imaginar outro símbolo mais matemático do que esse. Não há símbolo mais representativo da matemática do que o pentagrama.
Agora, se o pentagrama é o símbolo primordial da matemática, por que ele não é utilizado por matemáticos? Por que não encontramos pentagramas em escolas, universidades ou, ao menos, nos departamentos de matemática? Esse símbolo não deveria ser amplamente adotado por todos da área de exatas? A resposta é simples: durante a Idade Média, o pentagrama passou a ser usado por satanistas, e o que originalmente representava harmonia e sabedoria na matemática assumiu novas conotações. Com o tempo, ele se associou a práticas ocultas e passou a carregar uma carga simbólica negativa. Diante disso, convêm aos matemáticos utilizar o pentagrama hoje em dia? Quem vai defender o pentagrama?
Para mim, que sou da área de exatas e entendo a matemática contida nesse símbolo, seria maravilhoso poder colocar o pentagrama no meu perfil ou até mesmo em meu nome. No entanto, qual mensagem estaria passando? Quem entenderia isso? Quantos, de fato, dentro da área de exatas, conhecem a história e o significado desse símbolo? Posso exigir que as pessoas saibam a história do pentagrama? As pessoas precisam saber? Que tipo de pessoas estarei atraindo se utilizar esse símbolo? Eu posso esperar atrair algo diferente de satanistas e adolescentes problemáticos?
A grande maioria das pessoas entenderá que sou satanista, que não compartilho dos valores morais ocidentais, que tenho ideias dissociadas da norma, e não poderei culpar ninguém por isso; a responsabilidade será exclusivamente minha. É necessário abandonar os pretextos, ter bom senso e compreender que vivemos em uma sociedade real, com uma série de interpretações que não podem ser ignoradas e não em uma realidade imaginária.
Em um contexto escocês, homens podem usar saias; em um contexto russo, homens se beijam como cumprimento; em um contexto árabe, homens andam de mãos dadas. Se alguém sair por aí no Brasil usando saia, beijando homens e andando de mãos dadas com eles, pode-se culpar algum brasileiro por interpretar essas atitudes dentro de um contexto brasileiro? Convém a alguém de cultura diferente da majoritária adotar esse comportamento no Brasil, onde tais atitudes têm conotações e entendimentos distintos? Faz sentido afirmar que essa pessoa no Brasil estava apenas praticando uma cultura diferente e que, ao interpretarem de outra maneira, os brasileiros seriam os preconceituosos e xenofóbicos? Isso não seria "meter o louco"?
6. Apito de cachorro é coisa de cristão?
A Imputação inverídica do "apito de cachorro" aos cristãos é um desrespeito, e uma ironia, quando isso ocorre em um vídeo que supostamente visa reivindicar respeito religioso, inclusive com ameaças aos considerados desrespeitosos. O cristianismo, em sua essência, não prega discriminação racial. Além disso, o cristianismo não defende práticas dúbias, pois não precisa esconder nada e fazer isso vai contra seus princípios fundamentais, que prezam pela clareza e moralidade.
Quem utiliza o "apito de cachorro" não são grupos religiosos com posições abertas, como cristãos, budistas, hinduístas, judeus ou muçulmanos. O "apito de cachorro" é uma prática associada a indivíduos em cargos políticos ou concorrendo a eles, assim como a agentes políticos. Essencialmente são figuras públicas que buscam transmitir mensagens cifradas a uma audiência específica, com fins políticos, especialmente quando estão diante de uma multidão. Frequentemente, essas mensagens estão ligadas a atitudes que a sociedade em geral considera negativas, como práticas golpistas, criminosas e discriminatórias. A linguagem do apito é propositalmente ambígua, sendo interpretada de uma forma pelo público em geral e de outra, mais específica, para o grupo-alvo.
Além disso, a expressão "apito de cachorro" não é adequada para se referir a sociedades secretas, pois essas organizações não compartilham muitos dos elementos políticos e das pautas mal vistas que caracterizam essa prática. Vale destacar que foi a imprensa que popularizou essa expressão, mas nenhum grande veículo de comunicação utiliza o termo para descrever as práticas secretas dessas sociedades.
Cabe destacar que alguém pode usar o "apito de cachorro" de forma não intencional ou ingênua. Nesse caso, a pessoa pode não estar ciente do significado ambíguo da prática, mas, ainda assim, estará sinalizando algo. Outra possibilidade é que a pessoa tenha plena consciência da natureza dúbia de seu ato, mas não se importe com isso, por qualquer razão. Isso não significa que essa pessoa deseje sinalizar para um grupo específico, mas apenas que não se importe o suficiente para alterar a ambiguidade. Dessa forma, há apitos que existem mesmo que não seja a intensão do remetente.
Outro ponto é a questão de quem tem a autoridade para definir o que é ou não um "apito de cachorro". Indagar sobre quem detém essa autoridade, na realidade, é uma falácia. Trata-se de uma falácia non sequitur (que não se segue), pois a existência ou não de uma autoridade não impacta a existência ou a interpretação de um apito. Além disso, é uma falácia de autoridade, pois o simples fato de uma pessoa ou instituição ser considerada uma "autoridade" não valida nem invalida algo como um apito de cachorro.
Por fim, o fusca pode ser um apito de cachorro? Sim, claro, tudo depende do contexto em que a situação está inserida e de como ele pode transmitir uma mensagem dúbia. Os contextos possuem diversas variáveis, mas, para uma mensagem de massa, como a do apito, nenhuma dessas variáveis será de conhecimento particular. Um exemplo disso é o fato de que, até pouco tempo, ninguém sabia sobre a Kombi rosinha do Ig0y, algo de conhecimento restrito e com conotações pessoais.
7. No Brasil, há algum problema? No Ocidente, há algum problema?
Este mês, foi noticiado que um adolescente de 17 anos, usando uma braçadeira com a suástica, tentou invadir uma escola em Monte Mor (SP) portando um machado, galões de gasolina e uma mochila cheia de coquetéis Molotov. No Brasil não há supremacistas? Não há problemas? Leia a notícia
No final do ano passado, a Globo acompanhou a Polícia Federal prendendo um grupo de neonazistas que planejava matar mendigos, negros e nordestinos. Entre os presos, havia um estudante de Engenharia de Agricultura, um auxiliar de escritório, um estudante de Engenharia Automotiva da UFSC, um estudante de Letras e um de Direito, todos com idades entre 20 e 27 anos. Leia a notícia
O Ig0y pediu provas sobre a preocupação com o neonazismo, então aqui estão algumas. A Polícia Federal tem registrado um aumento considerável de investigações sobre apologia ao nazismo. Até 2019, eram entre 4 e 20 inquéritos anuais, mas esse número saltou para 69 investigações em 2019 e 110 em 2020. O Brasil não tem razões para se preocupar? Leia mais sobre os dados
Em 2023, 530 núcleos dessa ideologia foram mapeados no Brasil. A SaferNet Brasil, uma organização não-governamental que monitora crimes na internet, identificou 2.516 páginas com conteúdo nazista em 2020, e o Brasil ocupa a 7ª posição mundial nesse ranking. Leia a notícia
Em oito anos, a Secretaria de Direitos Humanos processou 228.962 denúncias sobre apologia ao nazismo em 21.921 sites, com materiais como imagens, textos, vídeos e músicas. Leia mais sobre as denúncias
Como o Ig0y vive no Brasil, eu poderia me limitar à realidade brasileira. No entanto, como ele questionou todo o Ocidente, é importante lembrar de Anders Behring Breivik, o extremista responsável pela morte de 77 pessoas em 2011, na Noruega. Recentemente, Breivik fez uma saudação nazista aos juízes durante uma audiência sobre seu pedido de liberdade condicional. Leia a notícia
Para não limitar a questão apenas ao Brasil e à Europa, onde o crescimento é alarmante em todos os países, vale lembrar de um grupo de manifestantes dessa ideologia que recentemente realizou uma passeata na cidade de Tampa, na Flórida, nos Estados Unidos. Leia a notícia
Eu poderia passar horas reunindo notícias, dados de governos, informações de investigações policiais e pesquisas de institutos sérios para fornecer as provas que o Ig0y solicitou. No entanto, creio que essas já são suficientes, e qualquer pessoa pode facilmente encontrar muito mais com uma pesquisa simples no Google.
Essas notícias não são narrativas, nem afirmações do Patrux ou opiniões do Ig0y; são simplesmente fatos. E contra fatos tão evidentes, não há contestação. Basta não se manter alheio ao que acontece ao seu redor, buscar se manter minimamente informado e evitar a alienação para perceber a realidade.
Embora eu tenha compartilhado algumas notícias, também carrego experiências pessoais que considero relevantes e que ajudam a mostrar que não estou falando apenas de algo distante de mim. Durante minha adolescência, frequentei uma escola de ensino médio de tamanho considerável, com mais de 4 mil alunos. Em determinado momento, começaram a aparecer símbolos em cadeiras e mesas. Com o tempo, esses símbolos passaram a surgir também nas portas, paredes e corredores, e logo começaram a aparecer nos quadros antes do início das aulas. O símbolo mais comum era a suástica, mas outros também apareciam, junto a frases extremamente perturbadoras.
Era algo absurdo e assustador, que se prolongou por um longo período, crescendo cada vez mais. Não sabíamos exatamente quem estava por trás disso, mas ficava claro que não era coisa de apenas um ou dois indivíduos. O que mais me impressionou foi o fato de que isso não foi parar nos jornais da época, nem a polícia tomou uma atitude mais incisiva. Demorou muito para que alguém reagisse de forma efetiva. Porém, em um dado momento, vários professores se uniram para exibir uma série de vídeos sobre os horrores cometidos por essa ideologia. As imagens eram chocantes, mostrando detalhes e entrevistas com as vítimas. Foram vídeos impactantes, mas necessários. Só depois disso, as manifestações começaram a diminuir e, finalmente, cessaram.
O principal erro do Ig0y é subestimar o mal. Ele acredita que as pessoas, especialmente no Brasil, são esclarecidas e boas, que a sociedade moderna está imune a essas ideias, como se as lições da história já estivessem internalizadas. Além disso, acredita nos jovens, grupo com o qual tem mais contato. Durante a Segunda Guerra Mundial, muitas pessoas pensavam viver em uma sociedade moderna e civilizada, e nem os próprios judeus imaginaram que algo tão horrível pudesse acontecer. Subestimar o mal é uma irresponsabilidade tremenda. Mesmo que o uso de certos símbolos ou a adoção de algumas ideias não sejam ilegais, e mesmo que a intenção por trás de algumas delas seja legítima, boa ou justificável, isso não impede que possam surgir consequências graves e prejudiciais. Essa é uma questão delicada, séria, e o dolo nem sempre é evidente à primeira vista.
Quero compartilhar outro caso que me marcou, envolvendo um ex-vizinho meu. Ele era adepto dessas ideologias, um jovem de físico imponente e oriundo de uma família financeiramente abastada. Um verdadeiro “filhinho de papai”, que não fazia nada da vida além de adotar comportamentos violentos e andar armado com pistolas e submetralhadoras. Lembro de uma situação em que ele chamou uma pessoa caucasiana de “negro” apenas porque ela tinha cabelo cacheado.
Trago essa história porque esse vizinho costumava se exibir publicamente com uma camiseta estampada com uma enorme suástica. Talvez ele se sentisse protegido pela riqueza de seus pais ou acreditasse na impunidade que muitas vezes impera no Brasil. É possível que também tivesse um álibi pronto para o caso de ser abordado pela polícia, alegando, por exemplo, que o símbolo não passava de um “manji”, um símbolo religioso.
No entanto, a história teve um desfecho interessante: certa vez, a polícia o abordou. Embora não o tenha prendido, a abordagem foi eficaz. Os policiais simplesmente arrancaram sua camiseta, rasgando-a bruscamente enquanto ele ainda a usava, deixando-lhe as marcas.
Para concluir este tópico, a questão racial é, em essência, absurda, especialmente no Brasil. Somos uma nação marcada pela miscigenação, e qualquer análise genética revelaria que todos nós possuímos heranças de múltiplas origens. Muitas pessoas de pele branca ficariam surpresas ao descobrir que carregam uma maior carga genética de origem africana, assim como também encontramos pessoas de pele escura com uma maior porcentagem de genes de origem europeia.
8. A participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial.
Embora a participação do Brasil nas batalhas da Segunda Guerra Mundial tenha sido limitada em comparação com as grandes potências, ela teve um papel relevante na aceleração do fim do conflito. Contudo, a questão sobre a proibição da suástica em algumas partes do mundo vai além das batalhas militares. Será que o esforço de guerra, por si só, justifica a proibição de símbolos como a suástica? Uma análise séria sobre a Segunda Guerra Mundial não pode se restringir apenas aos eventos bélicos, pois há também um contexto político significativo, especialmente considerando os anos que antecederam o conflito.
No Brasil, existia o Partido Nazista Brasileiro (PNB), uma ramificação do partido alemão, que esteve presente em 17 estados e atuou por cerca de uma década. O Partido Nazista estava presente em 83 países, sendo que o Brasil tinha o maior número de filiados fora da Alemanha. Além do PNB, havia a Ação Integralista Brasileira (AIB). Como o PNB aceitava apenas pessoas nascidas na Alemanha, o movimento integralista acabou sendo o refúgio de muitos simpatizantes das ideias nazistas no país.
Embora Vargas fosse simpatizante de alguns líderes autoritários europeus e de suas ideologias, tendo inclusive imposto muitas das políticas características desses regimes, ambos os partidos, AIB e PNB foram oficialmente extintos quando Getúlio Vargas, por meio do golpe do Estado Novo, implantou seu próprio autoritarismo e proibiu todos os partidos políticos. O fato é que a escolha do Brasil de se alinhar com os aliados não foi uma decisão ideológica, mas sim uma consequência das pressões externas, como as dos Estados Unidos, e da percepção de que a vitória dos aliados já era iminente.
As influências dessas ideologias, no entanto, perduraram na política brasileira e ainda têm relevância nos dias atuais. Alguém já esqueceu o episódio em que o ex-secretário de Cultura, Alvim, copiou trechos dos discursos de Goebbels? Um estudo recente estima que cerca de 100 mil brasileiros ainda são simpatizantes dessa ideologia.
9. Os verdadeiros budistas não usam suásticas.
Minha intenção não é discutir se os verdadeiros budistas usam ou não a suástica, mas sim avaliar se os argumentos apresentados pelo Ig0y, ao responder essa questão, são logicamente válidos. O argumento principal dele é que os opositores à sua ideia estão cometendo a falácia do "verdadeiro escocês".
A falácia do verdadeiro escocês consiste em atribuir uma premissa que não corresponde aos fatores definidores de algo, ou seja, é o uso de uma premissa falsa ou inadequada. Essencialmente, trata-se de uma variação da falácia non sequitur. A questão central, portanto, reside em determinar se o uso ou não da suástica pode ser considerado uma premissa válida para definir quem é ou não um budista. No entanto, em vez de refutar diretamente a premissa e demonstrar sua invalidade, o Ig0y recorre a uma generalização invertida do conceito de "verdadeiro escocês", ou seja, ele acaba utilizando a própria falácia que deveria estar refutando. Além disso, recorre a uma série de falácias de autoridade, tentando reforçar sua argumentação sem validá-la de maneira consistente.
O que define ser um escocês? O que caracteriza um “verdadeiro escocês”? Sem dúvida, tal discussão abre margem para uma guerra de narrativas, com cada parte defendendo sua própria definição, baseada em diferentes interpretações do que constitui um escocês. O ser humano, limitado em sua compreensão, inevitavelmente traz uma multiplicidade de pontos de vista, resultando em diferentes concepções de “verdade” e, por consequência, diversas premissas sobre o que significa ser escocês.
No entanto, pode-se realmente considerar uma “verdade limitada” como a verdade? Para que uma verdade subjetiva exista, não seria indispensável a presença de uma verdade objetiva que a sustente? Se todas as verdades limitadas fossem aceitas como absolutas, qualquer ser humano poderia ser considerado escocês. Mas, se todos são escoceses, quem não seria? Nesse cenário, o próprio conceito de “escocês” perderia sentido e deixaria de existir. Contudo, o conceito de escocês existe, o que implica necessariamente a existência de um verdadeiro escocês.
Alguém poderia argumentar que o verdadeiro escocês é aquele definido pelo governo da Escócia, independentemente de onde tenha nascido. Contudo, essa premissa se baseia em um argumento de autoridade. Outro poderia sugerir que a definição vem do senso comum coletivo da nação, o que constituiria uma falácia ad populum, ou apelo à maioria. Uma abordagem alternativa seria afirmar que o verdadeiro escocês é definido pelo sentido denotativo da palavra. No entanto, existe um significado denotativo claro para "verdadeiro escocês"?
Um poderia dizer que o verdadeiro escocês é aquele que nasceu na Escócia; outro, que é aquele com descendência direta de escoceses que viveram ali em séculos passados; outro ainda, que é aquele com linhagem genética "pura". Há quem defenda que escocês verdadeiro é quem adota a cultura escocesa, e há também quem diga que é simplesmente aquele que "se sente" escocês no coração. Mas, se todos no mundo se considerarem homens escoceses, então, ainda existiriam mulheres?
Quem detém a autoridade para determinar quem é budista e quem não é budista? Pertence ao senhor Nakagaki essa prerrogativa? Por que o Patrux e seus colegas não teriam o direito de definir quem é o verdadeiro budista? O Ig0y, assim como eu, como o Patrux, os amigos de Patrux, o senhor Nakagaki e todos os outros seres humanos, é um mamífero, bípede, com um telencéfalo altamente desenvolvido e um polegar opositor (Ilha das Flores, 1989). O fato de qualquer indivíduo afirmar algo não confere automaticamente veracidade à sua afirmação, nem tampouco a torna falsa. O simples fato de alguém afirmar que a gravidade não existe não anula sua existência, assim como a declaração de que ela existe não a comprova. Alegar que o Patrux ou qualquer outra pessoa não tem a capacidade de afirmar o que é verdadeiro é um exemplo claro de argumentum ad verecundiam, uma falácia de apelo à autoridade.
Quem é o Ig0y para afirmar que não existe paganismo no budismo? Quem lhe conferiu a autoridade para declarar que o budismo de Oxford é falso? Qual é a base para que o Ig0y se autoproclame responsável por definir quem é um verdadeiro budista? O que o habilita a determinar o que é verdade? Não estou afirmando que o budismo contenha elementos pagãos, nem que o budismo de Oxford seja a única forma legítima da prática, mas é curioso observar o Ig0y reivindicar para si uma autoridade que ele nega aos outros. Como se, ao se declarar budista, isso lhe conferisse o direito absoluto de determinar a verdade. Mais impressionante ainda é ver como ele acredita estar refutando alguém ao recorrer a esse tipo de argumento.
Existem o bem e o mal, o bom e o ruim, o belo e o feio, assim como a verdade e a mentira. O Ig0y, contudo, não questionou a validade da premissa de seu opositor, mas relativizou a própria existência da verdade ao fugir com o argumentar que existem muitas vertentes do budismo. Essa relativização da verdade é um ponto central na filosofia dos sofistas, constantemente refutada desde a Antiguidade.
Fazendo uma analogia com produtos, há os verdadeiros e os falsos, os de marca e os piratas, os originais e os similares. Será que o simples ato de alguém se declarar budista basta para torná-lo um budista verdadeiro? Ou seria o "verdadeiro" aquele que o Ig0y decidir apontar como tal? Posso eu, por exemplo, me declarar budista? Todos somos budistas? Ninguém é budista? Afinal, quem é o verdadeiro budista?
10. O crescimento daquela ideologia.
Não parece que o argumento sobre crescimento se der a um crescimento vegetativo, como o Ig0y sugeriu ao responder ao questionamento, mencionando o aumento populacional global e os oito bilhões de habitantes. Na verdade, isso pareceu mais uma tentativa de tangenciar com uma falsa premissa, utilizando a falácia do espantalho. Além disso, o argumento de que pais adeptos daquela ideologia, ao terem filhos, transmitam suas ideias como se fossem genes é falho. Esse tipo de crescimento geracional não reflete a preocupação real da sociedade nem o padrão observado. É bem comum atualmente que membros de uma mesma família tenham orientações ideológicas distintas, independentemente de algum parente ser adepto desta ou daquela visão.
Além disso, é inadequado falar apenas em crescimento absoluto de adeptos sem considerar a proporção em relação à população total, ou ao menos abordar ambos os aspectos. Primeiro, porque os estudos disponíveis não indicam essa constatação restrita. Segundo, porque, se não houvesse percepção de crescimento proporcional, a relevância social dessas ideias não estaria aumentando.
Outro ponto crucial é que o Ig0y defende a ideia de que tanto o racismo quanto o antirracismo podem crescer simultaneamente. No entanto, isso não é possível em um crescimento proporcional, pois são ideias antagônicas. Uma pessoa ou é racista, ou não é. Não há espaço para neutralidade ou uma posição apolítica entre essas duas perspectivas, assim como não existe um "centro" entre o racismo e o antirracismo.
Rebatendo ainda o argumento de crescimento vegetativo, os resultados do último censo realizado no Brasil indicam um crescimento populacional modesto e apontam que este será o último censo com aumento da população. Na Europa, nas Américas e na Oceania, o chamado "inverno populacional" já é uma realidade. Essas regiões apresentam taxas de natalidade abaixo do nível de reposição, resultando na redução da população nativa. Curiosamente, são justamente nesses locais, onde há presença do homem branco, que a população branca apresenta uma taxa de natalidade ainda mais baixa do que a média geral desses países, que já está abaixo da taxa de reposição. Ou seja, o declínio é ainda mais acentuado nesses países quando isolamos a população branca.
A Europa apresenta uma quase estagnação populacional, com um crescimento total de apenas 0,06% ao ano, impulsionado principalmente pela forte imigração que recebe. O mesmo ocorre em diversos outros países desenvolvidos, como Canadá, Austrália e Nova Zelândia, que registram um crescimento populacional muito modesto, igualmente dependente da imigração. No Japão e na Coreia, embora recebam imigrantes, a população está em declínio absoluto. A única exceção entre os países ricos é os Estados Unidos da América, que também enfrenta um forte declínio na população nativa, mas graças à elevada imigração, consegue manter um crescimento populacional total considerável.
Até a China registrou uma diminuição populacional em relação ao ano anterior, algo que ocorreu pela primeira vez em sua história em 2022. Além disso, a China deixou de ser o país mais populoso do mundo. A baixa taxa de natalidade tornou-se uma das maiores, se não a maior, preocupações do Partido Comunista Chinês. O crescimento populacional global é impulsionado principalmente pela África, países de maioria islâmica e Índia. Será que é nesses locais que está ocorrendo o crescimento real daquela ideologia?
Na Europa, o problema com o crescimento daquela ideologia é mais acentuado devido a diversos fatores. A imigração islâmica é significativa e tende a resistir à adaptação cultural, gerando choques e alimentando o sentimento de perda de identidade entre a população nativa. Esse medo, associado a fatores históricos, crises econômicas, grande endividamento público e baixíssimas taxas de natalidade, cria um terreno fértil para o crescimento de ideias supremacistas. A proporção de imigrantes ou descendentes recentes de imigrantes na população europeia é alta, o que intensifica esses sentimentos e o crescimento alarmante de tais ideias.
Por último, o argumento da internet, comum entre professores de ensino médio, e frequentemente utilizado como uma explicação para tudo. Primeiramente, o acesso à internet no Brasil já é tão abrangente há quase uma década que seria razoável afirmar que ela é praticamente universal há muito tempo. Se essa é a realidade de um país considerado pobre e em desenvolvimento como o Brasil, imagine a situação nos países ricos e desenvolvidos. Além disso, a internet facilita a propagação de qualquer ideia, inclusive as antirracistas, que não podem estar crescendo se as ideias racistas o estão, como já mencionei anteriormente. O máximo que se pode aceitar é que o engajamento e radicalização de ambos os lados estejam crescendo, mas não é apenas nisso que essas ideias estão se expandindo. Elas cresceram muito mais rapidamente e de forma mais abrangente no início do século passado, quando sequer existia a televisão. A internet, por si só, não mata pessoas; são as pessoas que matam pessoas.
11. Quem computa os crimes?
Respondendo ao ataque à fonte do Ig0y, não vou ser repetitivo trazendo links, pois já compartilhei diversas fontes sérias, incluindo matérias jornalísticas com dados da Polícia Federal, agências do governo, pesquisas acadêmicas e ONGs. No entanto, isso não significa que essas informações, por virem dessas fontes, sejam automaticamente infalíveis ou imunes a questionamentos. O erro do Ig0y está em desqualificar os dados com base apenas na fonte ou no argumentador. Esse tipo de discurso, que ataca a fonte em vez de abordar os argumentos em si, configura uma falácia (Argumentum ad hominem). Vale lembrar também que parte desses dados é da Polícia e das agências do governo Bolsonaro, que obviamente não tinham interesse em divulgar informações sobre o aumento desses fenômenos, mas o fizeram assim mesmo. Quando for levantar esse tipo de questionamento, é necessário especificar: quem, quando, onde e por que motivo dariam dados errados ou manipulados. Não é plausível levantar esse tipo de dúvida superficial, genérica, sobre a fonte sem justificativa.
Além disso, isso não está ocorrendo somente no Brasil. O aumento desses casos também é registrado em todo o Ocidente, por instituições muito mais credenciadas e sérias do que as brasileiras. Quais as probabilidades de todas elas estarem manipulando dados e envolvidas em um complô internacional?
Atacar a metodologia poderia ser um argumento válido, mas o Ig0y faz isso com uma alegação sem fundamento. Ele afirma que essas instituições classificam o uso do manji (a suástica usada com fins religiosos) como crime de apologia. Não, assim não, pelo amor de Deus, não vá por esse caminho. Será que houve um aumento tão grande de budistas no Brasil usando esse símbolo, a ponto de a polícia investigar isso nas sangas? É óbvio que a polícia e o governo não consideram isso como apologia. Algumas das reportagens que encontrei explicavam os critérios de contagem e não deixavam margem para esse tipo de confusão. Em uma delas, até especificaram que o manji, quando usado com fins religiosos, não é considerado apologia.
Pior do que isso é a suposta prova apresentada por Ig0y sobre os erros metodológicos, que, para começar, não tem nenhuma relação com apologia àquela ideologia, mas sim com homicídios de mulheres. Para quem não sabe, a Lei nº 13.104/15, que define o que é feminicídio, estabelece como tal a discriminação de gênero (Art. 1º, § 2º-A, II)ou violência doméstica (Art. 1º, § 2º-A, I). Questionar a metodologia, alegando que ela está errada por contar um crime de violência doméstica, quando na verdade está de acordo com a lei que tipificou o feminicídio, é um grande equívoco. Além disso, surge a seguinte dúvida: será que uma mulher pode odiar as mulheres ou até mesmo o fato de ser mulher?
12. A cruz de Pedro.
Não há indícios de que cristãos estejam interessados em resgatar o uso desse símbolo porque ele nunca precisou ser resgatado. A cruz invertida faz parte da tradição católica não bíblica, baseada no relato de que Pedro teria sido crucificado de cabeça para baixo. O relato mais antigo sobre a morte de Pedro é atribuído ao teólogo Orígenes, que viveu entre 185 e 253. Esse símbolo está ligado a Pedro, não a Cristo, e na Igreja Católica apenas o papa, que se declara sucessor apostólico de Pedro, utiliza esse emblema. O papado nunca deixou de usá-lo, e não faz sentido que outra pessoa queira adotá-lo como símbolo.
Os satanistas da Idade Média começaram a usar a cruz invertida pelo significado evidente de um Cristo invertido, como um símbolo de oposição ao cristianismo. Antes disso, as pessoas comuns não a utilizavam pela mensagem negativa que transmitia. Além disso, ela nunca foi o símbolo da cristandade, que sempre teve a cruz tradicional como seu emblema mais importante e universal.
13. O intolerante Karl Popper.
Eu aprecio o paradoxo da intolerância e compreendo sua origem, que é, em essência, uma releitura da Lei de Talião para um caso específico: olho por olho, dente por dente, intolerância por intolerância. Apesar de admirar o princípio dessa lei, considero que há um equívoco em sua aplicação prática por muitos. Justiça não deve ser feita com as próprias mãos, pois isso nem ao menos é justiça.
O julgamento e a aplicação da lei pertencem exclusivamente ao Estado e, em última instância, a Deus. Cabe ao povo exercer a tolerância e praticar o perdão. Afinal, se alguém roubar, rouba-se de volta? Se alguém matar, mata-se de volta? Um erro nunca pode justificar outro.
14. Ig0y raivoso.
Quando há uma promessa de causar dano, mesmo que não seja diretamente contra outra pessoa, mas com a intenção de provocar algum tipo de prejuízo, isso já se torna problemático.
Quando o Ig0y diz a seus oponentes que deveriam agradecer por ele “apenas” entrar com um processo, o que exatamente ele quer dizer com isso? O que mais, além de um processo, ele estaria sugerindo? Isso poderia ser interpretado como uma ameaça?
Ao afirmar que procuraria o empregador do Patrux para tentar demiti-lo, o Ig0y não estaria fazendo outra ameaça? E, se realmente conseguisse causar esse prejuízo ao Patrux, como isso deveria ser caracterizado?
Fazendo um exercício mental sobre a ideia de Ig0y ir atrás do empregador de Patrux: qual seria o custo disso? Quatro, cinco ou seis mil reais? Será que Ig0y teria recursos para gastar dessa forma? E, mesmo que tivesse, isso realmente valeria a pena? Ele sabe, ao menos, onde Patrux mora para tentar descobrir seu emprego ou mesmo para processá-lo?
Supondo que Ig0y conseguisse encontrar o emprego, quem garante que Patrux trabalha em uma empresa pequena, com um patrão acessível? E se for uma grande corporação? Como Ig0y sequer passaria da recepção? Grandes empresas raramente se preocupam com questões pessoais de seus funcionários, a menos que Patrux fosse, por exemplo, um CEO. Mesmo que Patrux trabalhasse em uma empresa pequena, e mesmo que Ig0y conseguisse falar com o empregador, quem garante que o patrão não apoiaria Patrux em vez de prejudicá-lo?
Além disso, quem disse que Ig0y teria como publicar algo contra Patrux no LinkedIn? Como sabemos que Patrux sequer tem um perfil lá? E, sinceramente, quem realmente se importa com o LinkedIn? Esse tipo de ameaça merece mesmo ser levado a sério?
Por fim, quando Ig0y chama alguém para um encontro, fazendo gestos com a mão fechada, isso também não soa como mais uma ameaça?
Akuyaku Reijou Level 99: Watashi wa Ura-Boss desu ga Maou dewa Arimasen
Sem dúvida, é um anime cativante e prazeroso de assistir, só precisava de uma animação de melhor qualidade para sagrar-se como o melhor anime da sua temporada. Está obra evidência que as boas tramas são melhores que as grandes produções.
Boku no Kokoro no Yabai Yatsu Season 2
O romance escolar é bastante comum, mas este anime tem uma trama com um emaranhado diferente. Além disso, é bem dirigido, recebeu uma boa animação e é cativante. A segunda temporada tem se apresentado como superior a muitos romances, até mesmo em relação à sua prestigiada primeira temporada. Muito disso é em virtude de o ponto forte dessa obra continuar sendo nos bons personagens e nas atraentes interações entre eles.
Dosanko Gal wa Namara Menkoi
O anime apresenta alguns personagens adoráveis, e por ser ambientado constantemente na neve, proporciona situações instigantes. Entretanto, a experiência pode ser prejudicada pelos clichês de um romance lento, com harém e escolar.
Dungeon Meshi
Enorme decepção! Para uma obra baseada em um mangá tão elogiado, esperava-se uma ótima história. No entanto, é apenas um anime de culinária fictícia, com ingredientes que são monstros fictícios. Em outras palavras, é extremamente chato.
Ishura
A proposta é boa e a produção é melhor do que o esperado, mas a obra tem dificuldades em apresentar diversos personagens principais. Além dos problemas com a narrativa, há uma falta de verossimilhança e identificação. Pois, os personagens têm poderes absurdos demais que desafiam as próprias regras deste mundo. Além de terem personalidades incomuns e alguns deles nem sequer serem humanos. Apesar de as expectativas terem sido reduzidas, ainda pode surpreender, uma vez que o anime Saitou-san foi bem mais ousado do que Ishura em não seguir os padrões narrativos nos primeiros episódios e na forma como apresentou os personagens.
Jaku-Chara Tomozaki-kun 2nd Stage
Esta segunda temporada alterou o foco da problemática do protagonista para outro personagem que era secundário na primeira temporada. Tem um lado positivo que é poder explorar a problemática por outros ângulos, sem se tornar entediante, ao mesmo tempo que continua o desenvolvimento do personagem principal. No entanto, essa mudança fez os romances que estavam sendo desenvolvidos ficarem escanteados. Além disso, deu uma aliviada nos temas profundos, controversos e polêmicos. Apesar da suavização, o conteúdo crítico, que torna esta obra especial, permanece bastante presente e complexo.
Majo to Yajuu
Esse é um dos melhores animes da temporada, pois há mistérios instigantes, ação explosiva e personagens com motivações orgânicas. É possível notar também que há uma complexidade nas motivações. Complexidade essa não apenas nas motivações dos protagonistas, mas também nas motivações dos vilões e dos personagens secundários. Ademais, as tramas também são bem elaboradas, com desfechos inesperados, controversos e reflexivos.
No entanto, é um anime Seinen, que deveria ser mais maduro e ter um ritmo adequado. O ritmo rápido, em que um arco é resolvido em um ou dois episódios, obriga os diálogos a serem diretos, menos naturais e com menor maturidade. Além disso, esse ritmo força a finalização de bons personagens e de boas tramas muito precocemente. Também é preciso salientar que, às vezes, é excessivamente pesado, levando posteriormente a suavizações que são por demais excessivas, como as ocorridas no final do primeiro episódio.
Mashle: Shinkakusha Kouho Senbatsu Shiken-hen
Esta temporada inicia-se descartando o que norteava toda a história, que era a principal piada do anime, a de que quase ninguém da trama sabia que o protagonista não era capaz de usar magia. Para tentar compensar, exageram na utilização de outras piadas, de tal forma que as tornam forçadas. A questão não se limita à perda do principal fator cômico, mas à perda de algo tão basilar nessa história que só pode ser identificado como à quebra de uma premissa. Isso resulta em uma diminuição da motivação do personagem e do interesse do público em continuar a acompanhar a obra. Posto que essa revelação deveria ser um clímax de finalização e não um elemento de início de uma nova temporada. Restando apenas de material ao anime uma trama de ação clássica shounem.
Mato Seihei no Slave
O ecchi por vezes vem de cenas ridículas, com elementos imaturos, mas ainda assim é legal. O anime apresenta também alguns personagens interessantes, e a produção está aceitável. No entanto, a premissa é vergonha alheia; a construção de mundo é péssima; a história consegue ser forçada, mesmo sendo simplória; e a trama é repleta de clichês. A impressão é que o anime quer ser um sonho erótico de um estereótipo de virgem masoquista. Para completar a cereja do bolo, o anime tem um terrível trabalho de som.
Metallic Rouge
É belo, bem animado, inteligente e complexo. As constantes cenas de ação são um destaque, uma vez que a computação gráfica não destoa, a tal ponto de suscitar dúvidas se de fato está sendo utilizada. Além disso, as cenas de ação se destacam por serem detalhadas, terem consistência e uma fluidez acima da média. Outro aspecto positivo da obra são as várias temáticas que aborda, como: o papel das máquinas, a fragilidade da vida, a eternidade, a liberdade, e a protagonista lutando contra coisas que deveriam ser do seu interesse.
Entretanto, é provável que o anime não agradará a todos, uma vez que apresenta apenas mulheres protagonistas e desempenhando atividades típicas masculinas. Além disso, o ambiente de Marte costumeiramente não é bem aceito pelo público contemporâneo. Para completar, há uma ausência de um romance, que é um atrativo comum em animes.
No passado, a ficção científica já utilizou Marte para inúmeras obras de sucesso, mas isso era em uma época em que se tinha pouco conhecimento do planeta e as especulações fascinantes dominavam o senso comum. Continuar usando Marte como uma Terra 2.0, não é somente uma questão de saturamento no gênero, mas principalmente de não mais parecer algo plausível.
É possível notar uma tentativa de tornar as protagonistas mais femininas, talvez como uma forma de antecipar possíveis críticas, mas não tem como ocultar a ideologia progressista presente. Esta ideologia tem causado a destruição de boas histórias e acabado com a indústria do entretenimento. Como consequência das péssimas obras ideológicas, existe nesta geração uma grande rejeição automática do público. No entanto, nem sempre uma obra com essa ideologia é ruim. Infelizmente, apesar de Metallic Rouge ser ótimo, não foi lançado no tempo certo para poder brilhar. Ademais, é preciso fazer um adendo de que a ingenuidade GoKu, mesmo que em pequenas gotas, não combina com personagens femininas.
Ore dake Level Up na Ken
O anime correspondeu às expectativas com relação a ter uma boa produção e direção. Os momentos de ação são as melhores partes, pois transmitem muita tensão. Contudo, o anime permanece com a mesma premissa desagradável do original.
O primeiro episódio é típico de um bom anime, com alguns pontos diferenciados e acima da média. O segundo episódio é ótimo, com muita ação, bom drama e uma tensão espetacular. Entretanto, o terceiro episódio é chato, consistindo apenas em explicar a premissa, a qual ninguém se importa e é cheia de problemas.
Youkoso Jitsuryoku Shijou Shugi no Kyoushitsu e 3rd Season
A produção é mediana como o esperado, mas a trama está sendo constantemente instigante. Se continuar atraente assim por mais alguns episódios seguidos, será a temporada mais continuamente instigante. Entretanto, isoladamente, os episódios da terceira temporada já são mais constantes em se manterem todo tempo cativantes. A primeira temporada tem uma primeira metade excelente e a segunda metade é um desastre, com exceção talvez do último episódio. A segunda temporada tem um ótimo último arco, além de mais alguns episódios esporádicos ou cenas deles. A terceira temporada é continuamente ótima, faltando apenas um grande clímax para se consolidar como a melhor das temporadas.
Apesar dos aspectos positivos desta terceira temporada, há algo em Classroom of the Elite que incomoda em todas as temporadas. O anime sofreu muitas alterações em relação ao seu material original, em virtude de reduzirem muito o número de alunos nas salas. Embora essas modificações causem uma desorganização em determinados aspectos do anime, o que mais incomoda é que, apesar da redução de alunos, não resolveu o problema da abundância de personagens. Por vezes, é possível confundir os personagens, esquecer quem era aquele personagem e outras situações semelhantes. Além disso, há muitos personagens que só são importantes ocasionalmente e ficam flutuando em tela a maior parte do tempo. Há também o caso das garotas Kei e Ichinose, que são personagens carismáticas, mas acabam ocupando o lugar consolidado da Horikita, o que é algo extremamente desagradável.
Yubisaki to Renren
A trama tem um grande valor, está bem produzido, tem bons personagens, e momentos esplendorosos. No entanto, o anime consegue ser durante a maior parte do tempo monótono, gerando uma sonolência.
Yumemiru Danshi wa Genjitsushugisha —Do que vi nesses três primeiros episódios deu ruim. Somente o terceiro episódio é que destoa, pois foi significativamente melhor em tudo, mas não acredito que salve a obra, nem que o anime vá se manter assim e mesmo que se mantivesse ainda era preciso melhorar bastante. Primeiramente com relação à parte visual, as primeiras imagens aparentavam uma boa produção, depois veio o trailer que me desiludiu, mas eu não estava preparado para o que de fato seria. Não exijo muito visualmente de uma obra com esse tipo de proposta e de fato não precisa, porém está abaixo do mínimo aceitável. Já com relação à história, a premissa é maravilhosa, mas o desenvolvimento é um fracasso. Não vale o tempo que desprendo assistindo e gostaria muito de desistir, só não faço isso por conta do princípio de ser determinado.
Temple — Esperava mais da comédia, do romance e do ecchi. Não chega a ser tão ruim ao ponto de ter vontade de desistir, mas também não oferece muitos estímulos a continuar. Se eu soubesse que seria tão morno nem teria começado.
Watashi no Shiawase na Kekkon — Só tem uma coisa que não gosto nessa obra, que é a parte dos poderes sobrenaturais. Até entendo que tenha uma relevância para a história, mas se é para ter esse elemento nesse tipo de trama, preferiria que fosse bem mais discreto. Em todo e qualquer outro aspecto desse anime só tenho elogios a oferecer. Sabia que a história teria uma carga dramática, porém eu não sabia que seria tão bem desenvolvida e passando as emoções com perfeição. Eu tinha boas expectativas, mas o anime em muito as superou.
Suki na Ko ga Megane wo Wasureta — Confesso que tinha um pouco mais de expectativas porque o mangá é muito bem avaliado. Talvez haja uma evolução mais para frente, porém pelo menos nesse início a história foi bem aquilo que estava na sinopse. Mesmo que em termos da história em si não tenha nada de mais, a experiência é absurdamente melhorada com o espetáculo visual que esse anime oferece. Logo, pelo modo como a história é contada, passa bem as emoções e o anime merece ser acompanhado até o final.
Zom 100: Zombie ni Naru made ni Shitai 100 no Koto — O fato é que a equipe de produção está com sangue nos olhos, está melhorando absurdamente a obra em relação ao mangá. Eu peço desculpas porque desconfiei desse anime por ser o primeiro trabalho desse estúdio. O anime é simplesmente maravilhoso, acredito que já posso cravar como o melhor da temporada, quem não está assistindo está perdendo e isso é tudo que tenho a dizer.
Rurouni Kenshin: Meiji Kenkaku Romantan (2023) — Em termos narrativos atendeu um dos meus maiores desejos, que era de diminuírem as enrolações e os eufemismos. Coisas que a primeira versão tem e que eram típicas da época, pois faziam isso para deixarem as obras mais leves, compridas e bem mais autorais do diretor, quase algo a parte. Isso foi um ponto bastante positivo, porque também não fizeram de uma forma que estivesse compactando tudo em um ritmo apressado, como geralmente fazem em outros remakes e que eu muito temia. Nesses três primeiros episódios adaptaram praticamente um capítulo por episódio. Além disso, é uma versão muitíssimo mais fiel ao mangá, mas não é completamente fiel, pois tenta ter uma identidade própria, mudando apenas alguns aspectos que melhorem o material fonte. Portanto, tem uma direção mais respeitosa que segue os padrões modernos de adaptação. Somente com isso já justificaria a necessidade desse anime existir.
Outro ponto que chama a atenção é a parte cômica, que era bastante escrachada na primeira versão, sendo uma marca registrada do título e que foi bastante abrandada na atual. Apesar desse viés cômico da antiga ser bom, nunca foi o que fez essa obra ser gigante. Mais do que isso, é um viés característico de uma época, sendo atualmente datado e que não faria sucesso com as novas gerações. Além do mais, ficaria injustificável refazer e acompanhar algo idêntico ao que já foi feito. Dessa forma, compreendo perfeitamente as motivações para as mudanças e concordo plenamente com uma versão mais sóbria, especialmente em relação ao protagonista. No mais, o tom sério combina muito melhor com a premissa da obra. No entanto, não é tão sério como o tom dado aos filmes e as OVAs, que comprovadamente são agradáveis. Portanto, acaba tendo uma certa originalidade, tendo em vista que também o mangá não é nem de perto tão cômico como a primeira versão para anime, mas ainda é bem mais cômico do que a nova versão.
A primeira adaptação visualmente hoje não parece nada de mais, mas na época que foi lançada estava acima da média, tanto que continua sendo bastante aceitável até os dias atuais. Destaque para as cenas de ação, que ainda conseguem me chamar mais atenção na versão anterior do que nesta de 2023. Com isso não estou dizendo que em relação à imagem a versão atual seja ruim, de forma alguma, pois deu uma boa repaginada que se fazia necessária, e melhorou algumas coisas como cores, sombras e detalhamentos. Apenas não está tão primorosa para conseguir impressionar tanto como a primeira versão quando foi lançada, sendo meramente suficientemente boa para ser admissível e para ser parcialmente justificável.
Um rurouni é um samurai que não tem mais um mestre, uma pessoa que não tem um sentido para a sua existência, é um andarilho que se move como as ondas do mar. Há uma profundidade nos personagens desse anime por serem pessoas que faziam parte da classe samurai, a qual nessa época retratada na obra deixava de existir do dia para a noite com o fim do xogunato e com a devolução dos poderes ao imperador após cerca de 700 anos. Todos os integrantes da casta samurai passaram a não ter rumo e a entrarem em uma crise coletiva de identidade, tendo em vista que o imperador impôs o fim do feudalismo no Japão. Pegar um ronin que já seria naturalmente uma pessoa sem rumo, para simbolizar esse dilema de toda uma classe, fazendo dessa trama uma jornada de encontro de um novo caminho em uma era de paz, é uma ideia acertadíssima. Ainda mais quando o ronin em questão parte em defesa dos valores e das virtudes dos samurais, enquanto carrega pesares, ressentimentos, arrependimentos, mesmo após o fim de sua era. Basicamente é uma jornada existencial representada por um ronin que somente por ser um ronin já seria temido, mas que era especialmente respeitado, por ser um retalhador, alguém extremamente forte e também um herói que teve a sua responsabilidade pelo fim do regime anterior. Fato que ironicamente acabou com a sua casta. O protagonista nessa jornada também confronta a decadência da sua classe e enfrenta outros samurais fortemente habilidosos que buscam outros caminhos. A história fica mais rica quando se pensa que de fato existiu um samurai de verdade que inspirou tal personagem.
O ponto mais forte dessa obra sempre foram os dramas com partes de heroísmo, de moral e de romance, tudo em um ambiente histórico. A comédia tem destaque, mas acaba sendo um alívio complementar para uma mensagem profunda, reflexiva, poética e triste. Logo, um tom mais sério é melhor para ressaltar tais coisas e tornar a trama mais verossímil. Por isso, se essa versão continuar assim e adaptar tudo, será a definitiva e superior à primeira. Dando um bom motivo para quem já conhecia esse trabalho a acompanhar essa nova versão. Já para quem não conhecia, sugiro que se livre de preconceitos por ser um remake de um anime antigo, posto que está sendo uma ótima adaptação que vale muito ser assistida. No mais, a tendência é só aumentar cada vez mais a sua popularidade, sendo já o quinto anime mais comentado da temporada e não me surpreenderia em nada se terminasse como o mais popular dela.
Helck — Os desenhos de personagens não são dos mais agradáveis, e o mundo é muito fantasioso e meio genérico. Dito esses desagrados, é um dos melhores animes para ser acompanhado dessa temporada, pois essa trama pega uma premissa cativante e a desenvolve bem, com um ótimo viés cômico e usando de bons personagens. Quase que eu não começava a assistir esse anime por preconceito, mas eu teria perdido uma ótima diversão.
Dekiru Neko wa Kyou mo Yuuutsu — O anime tem muita computação gráfica, mas é tão bem feita que sem dúvidas pelo menos visualmente é um dos melhores animes da temporada. A obra sabe que está dando um espetáculo nesse quesito, logo explora bastante os cenários, enquadramentos e efeitos. Nessa parte visual já era o esperado por conta do trailer e esses primeiros episódios só confirmaram esse primor. O que estava realmente me deixando inseguro era se uma história com uma proposta de antropomorfismo e vida cotidiana teria algo interessante a ser mostrado. Surpreendentemente, a trama é ótima, bem mais do que a melhor das minhas expectativas. Estão bem conectadas as sucessões de acontecimentos; os personagens são carismáticos; as interações entre eles são bem cômicas; o anime tem mensagens críticas; e existe um pouco de drama no passado dos personagens. Não é um anime nota dez, mas é uma obra que merece muito ser assistida e vale a indicação.
Kanojo, Okarishimasu 3rd Season — Por enquanto só vem confirmando o que eu havia dito esperar dessa temporada. O arco dramático, o melhor da história, só deve ser apresentado nos três últimos episódios dessa temporada. Nesse início a melhor coisa é a aparição da Mini, personagem carismática que fica tentando fazer andar a relação dos protagonistas. No mais, gosto da adaptação para anime, agradeço pela sua existência, mas não espero coisa diferente para essa temporada do que aconteceu nas outras, no sentido de muitos cortes, muitas mudanças, muita coisa acelerada. Como sempre digo, o anime é top, mas o mangá é incomparavelmente melhor.
Lv1 Maou to One Room Yuusha — Foi inesperado ver que tem uma média de notas tão baixa no MAL, com isso não estou dizendo que é um suprassumo da temporada, mas que para ser justo merecia pelo menos mais um ponto na média geral. Posto que conforme a sua proposta, o anime é bem funcional; também é gostoso de assistir no sentido que sempre mantém o interesse; além disso, diverte bastante, pois a comédia é boa, indo além da sátira da premissa e contendo coisas inusitadas. Dito isso, em nada me frustrou e me agradou mais do que achei que agradaria, porém não foi muito superior ao que eu imaginava antes de começar a temporada. O que menos me agradou continua sendo a premissa de mundo que eu já olhava torto antes de ver o anime, mas isso é compensado por uma trama bem desenvolvida.
Mushoku Tensei II: Isekai Ittara Honki Dasu — Entendo e não condeno cortes no arco da escola de magia, pois é um arco muito longo, cheio de diálogos e bastante parado. No entanto, antes do arco propriamente da escola de magia, tem um excelente mini arco nesse início de temporada, que apesar de eu ter gostado, infelizmente preciso dizer que poderia ser melhor. Posto que o novo diretor não está sabendo tirar todo o potencial da obra, cortando e mudando coisas que não deveria. Esse anime tem um material original que desenvolve absolutamente tudo, que é bastante minucioso, e uma boa direção precisa saber oferecer o ritmo mais adequado nos momentos certos, com algumas mudanças somente no sentido de complementar. Outra coisa que estão falando é com relação ao primor de detalhamento nas imagens, comparando com o que havia nas temporadas anteriores e que não está sendo mantido na atual. Confesso que só senti uma leve mudança nesse sentido, logo ainda é uma produção muito acima da média, da qual espero que estejam economizando para que em momentos de clímax possam dar maior capricho.
Masamune-kun no Revenge R — O “gordo” continua sendo a coisa que mais odeio nessa obra, mas as revelações dão reviravoltas que tornam tudo muito mais agradável de ser assistido. Já sabia de algumas dessas revelações, mas não de todas e me surpreenderam terem colocado algo desse tipo em todos os três primeiros episódios, coisas até que só esperava que aparecessem no final da temporada. Esses elementos se encaixam de uma forma que é preciso reconhecer o ótimo trabalho de escrita do autor. As revelações também acabam com certos incômodos e nos fazem gostar mais de alguns personagens. A única coisa que não ficou muito legal nesse início de temporada foi a introdução da francesa, que entendo a função dela de trazer um alívio cômico, de prolongar mais a trama, mas a personagem sobra na história e não se encaixa bem.
Não é que desisti, eu simplesmente acho que já vi a grande maioria dos animes que realmente valem a pena e que vão me marcar, falta algum ou outro com certeza, mas não muitos, vou vendo aos poucos
Quanto a mangá eu não tenho muito hábito de leitura mesmo, mas tenho muitos que quero ler ainda
Parte 2 – Impressões Finais da Temporada Spring 2023.
Majutsushi Orphen Hagure Tabi: Seiiki-hen — Uma visão do céu com uma jornada para o inferno. Resume bem uma obra com extremo potencial, maravilhosas ideias, mas tudo desperdiçado por um ritmo errado e por uma baixa produção.
Essa é a quarta temporada, o anime fechou a trama principal e somando com o episódio especial dão um total de 49 episódios. Eu não li a novel, mas sei que são 200 capítulos. Logo, acredito que devam ter adaptado tudo e que não deverá ter uma quinta temporada. Até porque fui informado por terceiros que o anime adaptou tudo o que foi escrito na novel.
Talvez a trama já fosse gigantesca para essa quantidade de capítulos da novel e o anime só tenha replicado o problema com uma quantidade insuficiente de episódios. Também não sei se foi cortado algo da novel, mas independente disso o principal problema desse anime é que tudo parece absurdamente comprimido. Logo, fica difícil de se envolver com alguns personagens, de entender o enredo, e de aceitar como se fossem naturais as reviravoltas. Sei que isso havia nas outras temporadas, mas nessa última a impressão é de como se tivessem colocado um conteúdo bem maior do que os das três outras anteriores juntas em uma só.
Tudo é extremamente rápido e fica maçante de acompanhar. Em um episódio é apresentado um personagem carismático, para no seguinte ele já morrer. Em um episódio começa um arco, para no outro acabar. Por conta disso o propósito de muita coisa parece sem sentido e as resoluções são mal explicadas. Pelo menos nas outras temporadas, mesmo com os poucos recursos, as cenas com lutas não pareciam aceleradas. Já nessa se alguém piscar os olhos perde tudo. O pior que é a temporada do conflito épico, do ápice da obra, e o anime simplesmente pula a batalha decisiva sem mostrar nada. Entendo que a obra foi desacreditada, que a produção é de baixo orçamento, mas é o final. Mesmo que não fosse mostrado no mangá, posto que o anime não tinha entregado nada de especial antes, precisava exibir algo grandioso e recompensador no epílogo.
Alguém pode acreditar que com todos os problemas que existem nesse anime eu deva o odiar, mas definitivamente não consigo, porque é apresentada uma enorme quantidade de excelentes ideias. O anime até começa a desenvolver bem algumas delas, o problema é que só começa e já pula para outra ideia maravilhosa que novamente terá o mesmo destino. Portanto, tenho uma sensação mista. Por um lado, fico extremamente feliz que tenham adaptado essa obra para anime e adoraria recomendá-la. Por outro lado, literalmente fico com os olhos cheios de água e o coração apertadíssimo por ver que algo com tamanho potencial não tenha recebido uma adaptação à altura. Além disso, por mais que não seja uma ótima adaptação é apenas mediana, e quando penso nos lixos que sai toda temporada, o meu humor melhora.
Isekai de Cheat Skill wo Te ni Shita Ore wa, Genjitsu Sekai wo mo Musou Suru: Level Up wa Jinsei wo Kaeta — Os desenhos de personagens são lindos, o anime tem boa ação, agrada um protagonista forte que era fraco, as garotas são cada uma melhor que a outra, mas tem uma droga de roteiro. Resumindo, a trama é exaltação de protagonismo.
O anime foi vendido como diferente por manter uma trama em outro mundo ao mesmo tempo que mantinha outra trama com o mesmo personagem no mundo real. A primeira impressão é que apenas a parte isekai seria vergonhosa, mas à medida que o protagonista vai ficando mais forte as aberrações vão escalonando no mundo real, de tal modo que esse acaba parecendo mais ordinário do que o mundo isekai. Todo o tempo o anime fica jogando coisas extremamente artificiais com intuito bem claro de exaltação ao protagonista, coisas que nos tiram da imersão. Não parece que o autor teve o mínimo de preocupação em criar nexos narrativos que fizessem a trama parecer verossímil e coerente.
Tem uma ou outra coisinha que talvez possa se salvar na história: uma ou outra lição de moral, um pouco de romance, um pouco de empatia, e o carisma das personagens femininas. Geralmente o que acerta é o básico dos animes, diria mais, é o básico de qualquer história de fantasia. Muito disso também é por não sair das fórmulas consagradas de sucesso. Tipo: um herói que salva uma linda princesa indefesa; os colegas invejosos que fazem bullying; um personagem muito fraco que se fortalece. O pior é que tinha uma parte super pesada da história do protagonista, que tanto no anime como no mangá é passada de uma forma tão rápida, mais tão rápida que rompe a velocidade da luz, portanto a maioria das pessoas não percebe.
A verdade é que só fui dar mesmo uma chance para esse anime porque ele também foi vendido como o anime do protagonista que pegava geral, que as coisas evoluíam muitíssimo no romance e que as garotas eram 10/10. No entanto, a verdade é que o protagonista até o fim dessa temporada não pega ninguém, são apenas garotas muito legais se atirando. Pelo menos os desenhos são bonitos e algumas cenas de ação são legais.
Kaminaki Sekai no Kamisama Katsudou — Inova, tem reviravoltas, mas se equívoca com elementos genéricos e com alterações que são vergonha alheia. Essa proposta também é delicadíssima e às vezes o anime quebra ovos. No mais, na parte visual a produção é baixa.
O que mais salta aos olhos é a animação em computação gráfica, principalmente quando aparecem os monstros 3D, pois é muito destoante e espanta o público. A rotoscopia também é presente em algumas partes e causa estranheza. Com certeza sempre que alguém lembrar desse anime, recordará dessas cenas. Claro que com uma animação minimamente de qualidade não traria essa impressão tão ruim e com uma de ponta teria um efeito positivo. Entretanto, não mudaria muito do anime porque não são tantas as cenas com essas coisas. Portanto, utilizar uma animação tão fraca para algumas cenas só pode ser fruto de baixíssimo orçamento, tendo em vista que a própria proposta da obra não necessita de muitas cenas fluidas.
Naturalmente existe uma boa vontade de todo mundo ser bem mais tolerante com obras japonesas quando estas tocam em questões religiosas, em prol de uma liberdade poética e uma compreensão de que o Japão não é um país dado a religião. No entanto, um anime cujo foco principal da trama é falar da religião e fazer críticas de maneira direta e explícita, difere de usar alguns elementos de crenças religiosas, ou de fazer críticas veladas e pontuais. Nesse sentido posso dizer que é uma proposta que inova e por mais que o anime tente ser cuidadoso para não ser tão ofensivo às vezes desliza. Basicamente a visão do anime é que a religião é um tipo de: sacrifício, de escambo, de governo, de prazer sexual, de música e de família alienada.
O principal acerto nessa obra são as reviravoltas, as quais de fato conseguem surpreender muito, mudando conceitos que já estavam formados ainda na premissa. Tudo nesse sentido é feito de uma forma coerente, que pareça natural e instigante. Isso faz valer muito a pena assistir à obra. Entretanto, também existem coisas não tão interessantes por serem genéricas, como os traços, os arquétipos, os cenários, as idols e o fanservice.
Li alguns capítulos do mangá e comparando com o anime não muda muita coisa, mas não é uma adaptação 100% fiel e as mudanças que verifiquei foram todas para pior. Uma das cenas que mais detestei que mudaram foi uma que envolve a Bertrand. No anime a colocam vestida como se fosse uma sambista de carnaval, isso foi tosco, foi vergonhoso e incoerente. Em outras palavras, o anime não tem um bom diretor.
"Oshi no Ko" — Relutei em assistir e iniciei acreditando que não valeria nada, mas terminei a temporada tendo a certeza que foi uma das melhores obras já criadas pela humanidade. Garanto fortes emoções e aulas de como fazer um bom anime.
Esta é uma das críticas mais difíceis que já escrevi. Posto que, é fácil e bom falar dos erros, o difícil é comunicar dos acertos e fazer isso de um anime quase perfeito é um desafio. Portanto, vou focar naquilo que considero os pontos mais fortes desse anime, que o fazem ser tão amado e reconhecido, que é justamente conseguir passar muita emoção e ter conteúdo.
A maioria dos críticos procura não falar sobre emoções, porque é algo tido como subjetivo e por estigmas da sociedade, mas a verdade é que isso é a alma dessa indústria. O que faz alguém ofertar a coisa mais valiosa que o ser humano possui que é o tempo? Sobre tudo é nisso que se baseia o entretenimento. Não interessa uma alta complexidade, algo mirabolante, algo inovador, algo extremamente realista. Absolutamente ter todas essas coisas nada significa se não conseguirem passar emoção, pois é esse o intuito dos realizadores e aquilo que o público almeja. Assim como valores críticos, artísticos e culturais, são secundários, muitas vezes temporais e apesar de não serem rotulados assim tem graus de subjetividades maiores do que o das coisas que transmitem emoções.
Uma das marcas registradas dessa obra, é que em todos os episódios, ou quase todos, fecham com um ápice, deixando um suspense que cativa o interesse pela continuação. Alguns dirão que essa técnica do gancho é velha e isso é verdade, mas funciona e poucas obras conseguiram executar tão bem em tantos episódios como nessa. Também é algo que por deixar de ser tão usual e acertado nos animes até parece inovador. Obviamente foi um ótimo trabalho do diretor de composição de série que soube dividir bem o material dos episódios. Não só desse diretor de composição, mas da equipe toda, pois eu li o mangá e essas cenas não teriam o mesmo peso sem a escolha certa das músicas, dos enquadramentos, do ritmo, das cores, das sombras e da incrementação de mais quadros.
A arte animada possibilita sensações sensoriais maiores, logo detém de mais possibilidades de provocar emoções. Entretanto, conheci a trama antes de ver a maioria dos episódios e a história é viciante por si mesma. Por mais que a equipe do anime tenha muitos méritos e grandes feitos, preciso reconhecer que o autor do material original e a desenhista do mangá tiveram a maior contribuição.
Os personagens dessa história nos fazem ter empatia por eles, a ponto de termos os seus desejos, suas ansiedades, suas raivas e suas tristezas. Uma das maiores marcas para sabermos se os personagens são bons é quando a obra consegue nos colocar neles e sentirmos com eles. Esses personagens também tem arcos completos, mas são bons essencialmente porque nos comovem.
As cenas mais impactantes em ordem são:
Todas as cenas da parte final do 1.º episódio são espetaculares e é o que vende mais a obra. Só preciso comentar que faltou uma coisinha que tem no mangá durante a morte de uma personagem e que se tivesse sido mostrado no anime evitaria algumas críticas bobas.
A cena do final do 7.º episódio, sem exagero algum, a assisti novamente pelo menos uma centena de vezes de tão boa e tão emocionante que ficou. Interessante que não é tão diferente no mangá, mas o pouco que mudaram a melhoram tremendamente. Fizeram que uma cena simples ficasse grandiosíssima com apenas um movimento de câmeras, sombras e uma acertadíssima trilha sonora. Pode não ser a mais impactante, porém é a minha favorita. Depois dessa cena não tinha como não reconhecer que esse anime era uma obra-prima.
As cenas do final do 10.º episódio, melhoraram absurdamente em comparação ao mangá. Pois, foi estendida, os diálogos ficaram mais profundos, o cenário foi alterado, fizeram novos enquadramentos, colocaram sombreamentos que não existiam, deram cores espetaculares e colocaram uma fantástica trilha sonora. Se a cena do episódio sete me fez reconhecer ser esse anime uma obra-prima, essa do episódio dez me fez colocar no top dez de todos os tempos. Essa cena foi tão profunda e mexeu tanto comigo que chorei do começo ao fim, me deu satisfação e um sorrisão. No mais, se eu pudesse retocar a Mona Lisa colocaria apenas mais camadas com mais detalhamento nessa linda fotografia.
A cena do final do 8.º episódio também foi melhorada no anime por conta do enquadramento e do uso de movimento de câmeras. Naturalmente o enredo tornaria essa cena empática, com um tom meio triste seguido por um de satisfação, mas a obra deixou mais dramática com as ótimas expressões faciais da personagem.
No final do 9.º episódio teve um acréscimo de um clip com uma música inteira, o qual no mangá isso era representado somente por um quadrinho. Com certeza enriquece a obra, mas por mais que eu veja valor nisso, o que realmente me impacta é a parte da pontuação de uma personagem. Logo, talvez tenha ficado melhor no mangá, porque sem esse clip no meio da cena as pontuações contrastavam melhor.
A cena do final do 6.º episódio, tem algo muito pesado, não tinha como não ser impactante, mas eu preferi bem mais no mangá por conta que deixaram a personagem histérica e também a trilha sonora não foi a melhor escolha. Uma curiosidade, é que vi um youtuber que odeia a obra comentar que esse episódio era irreal, artificial. Somente para ele quebrar a cara logo em seguida, quando veio à tona as manifestações de uma mãe criticando a obra por realizar algo muito idêntico ao caso real da sua filha.
As cenas do final do 5.º episódio, acredito que nem preciso dizer que viralizou o vídeo da música do Pieyon, muita gente compartilhando, muita gente fazendo uma versão live-action, até a intérprete japonesa da Ruby participou de uma dessas versões. De forma geral curti essa cena, mas o anime não usou o mesmo enquadramento do mangá e o clip ficou um pouco esquisito. Os pensamentos em forma de fala também atrapalharam a cena no anime.
A da escritora de mangá se emocionando no 4.º episódio, é o tipo de cena com conteúdo, com um valor crítico, mas o mais importante é como isso é transmitido. A personagem passa a emoção de assistindo uma adaptação do seu mangá e nós choramos assistindo-a chorar. Foi genial!
A cena do final do 3.º episódio foi ótima, porque deu presença de palco ao protagonista, o deixou imponente e gerou um suspense para a continuação dela que viria no início do episódio seguinte. Para mim essa foi a parte que virei a chave sobre que não seria só um prólogo e que eu precisava aumentar a nota da obra. Também vi um youtuber reclamando que a cena de encerramento do episódio três deveria ter sido um pouco mais adiante. O problema é que não geraria um suspense para uma continuação e essa cena mais adiante é a do início do episódio quatro que não ficou tão boa quanto poderia. O fato é que quiseram incrementar coisas que tiraram um pouco da grande imponência que a cena do quarto episódio tem no mangá. Nessa cena no mangá o protagonista passa muito mais a ideia que está fazendo uma atuação talentosíssima, sendo de fato uma estrela. Também não é somente uma questão de passar a ideia, é de fazer dizendo que vai fazer algo brilhante. Isso é extraordinário!
A cena do show do 11.º episódio, passou emoção, tem mérito por fazer muita coisa em 2D, e novamente o anime expandiu, colocando uma música, criando coreografias, em síntese deu excelentes complementos. Esse arco todo desde o início com a preparação para o show me deixou emocionado o tempo todo com lagrimas e risos. No entanto, eu tenho que ser chato, porque a parte visual dessa cena do show ficou aquém do que eu esperava, do que poderia ser e do que deveria ter sido, principalmente em alguns instantes que focou no público e em questão de detalhamento de cenários. Deixando claro que com isso não estou dizendo que ficou ruim, essa cena é sensacional e digna de fechamento de uma temporada, apenas merecia mais carinho. Se eu fosse o diretor fechava nessa parte ou na cena do carro, porque dava um sentimento maior de conclusão. A cena do carro é uma parte excelente que se mais explorada seria bem melhor.
Outras cenas que merecem menção estão no 1º episódio e são: a morte de um personagem no início; a dança dos bebês que viralizou nas redes; a do Amaterasu; a da Ruby brigando com o Aqua por não ter sido acordada.
O anime trata de alguns temas da indústria do entretenimento, tais como: talento não é o mais importante; obstáculos burocráticos; dificuldades financeiras; comportamento de celebridades; problemas para manter uma imagem ideal; relação de estrelas com os fãs e dos fãs com as estrelas. Em cima dessas temáticas o anime traz conhecimento desse mundo artístico e faz críticas contundentes. Isso é algo muito satisfatório, pois não deixa o sentimento que outras obras trazem de que estamos desperdiçando o nosso tempo sem receber algo agregador em troca. Além do que, são abordagens com perspectivas novas que não precisam ser complexas e profundas para alcançar um maior público.
O tema da indústria do entretenimento é recorrente porque a trama está ambientada nessa indústria, mas esse não é o tema principal do anime e nem o único dos temas secundários. Inclusive a obra trata de outros temas secundários com muita mais profundidade do que esse. Temas como: amor, família, superação, hipocrisia, amadurecimento e responsabilidade. Estão muito entrelaçados com o tema principal da obra que é sobre vingança e mentiras, de tal forma que se confundem e por vezes são a mesma coisa. Eu entendo que coisas comuns são mais facilmente percebidas, mas somente análises rasas que não compreendem a filosofia dessa obra é que só veem a superfície do iceberg.
Outro ponto que poucas pessoas se atentam é sobre a riqueza do simbolismo que essa obra usa e da fonte primária de inspiração do dualismo filosófico, mitológico, místico e lendário advindo da pré-história do Japão. O deus criador do xintoísmo Izanagi teve uma filha chamada Amaterasu, a deusa do sol que nasceu do seu olho esquerdo e da qual descende a família imperial japonesa. Já do olho direito de Izanagi nasceu o seu filho Tsukiyomi, o deus da Lua. Não é somente nas cores e nas estrelas do anime que fica claro esse simbolismo, mas também nas personalidades dos personagens.
Pensei em falar também da abertura e do encerramento de episódios, mas eu preciso mesmo? Provavelmente serão as melhores do ano, assim como todo o anime.
Mashle — No início acreditei ser um desperdício do meu tempo, uma babaquice. Não vou dizer que o anime mudou completamente, mas com o tempo foi me ganhando, as piadas começaram a funcionar e principalmente a jornada ficou instigante.
Só consigo assistir e gostar um pouquinho dos primeiros filmes de Harry Potter. Já One Punch Man é muito mais agradável de assistir, mas também não é uma obra-prima. Estava bem incrédulo que uma fusão desses dois conceitos pudesse funcionar e o início de Mashle só fortaleceu muito essa minha visão, mas com o tempo acabou sendo uma das obras mais agradáveis de assistir dessa temporada. Não pela magia, nem pela parte cômica, mas sim por ter os elementos mais clássicos de uma aventura shounen. Que são: um protagonista bobão imbatível; um grupinho de super amigos acompanhando o protagonista na jornada; anti-heróis; um romance que quase não anda; e sobre tudo boas lutas. Fiquei interessado em saber qual será o final dessa jornada, o quão fortes serão os inimigos que Mashle vai enfrentar, e até onde irão os poderes dele e dos seus colegas (poderes que naturalmente irão escalonar).
Jigokuraku — Gostaria de oferecer uma nota dez para esse anime, tem mais texto que muitos animes prestigiadíssimos, mas tem uma produção bem aquém do seu enorme potencial. Com isso também não estou dizendo que tenha uma produção e uma direção terríveis.
O tempo todo nesse anime sempre está acontecendo algo importante, tudo com ação frenética e com consequências. Isso é bom, pois cai nas graças do grande público, mas o anime teria sido frenético do mesmo jeito se o ritmo fosse um poco mais lento na quantidade de capítulos adaptados por episódio, porque no mangá é tudo rápido e cheio de lutas. Não me parece uma boa decisão acelerar o que já é agitado, até porque o mangá só tem 128 capítulos e o anime adaptou 43 capítulos e meio. Para ficar com o ritmo de três capítulos por episódio que é o mais usual e tido como o mais próximo do ideal, precisaria de mais uns 3 episódios.
O fato do anime ter muito conteúdo para adaptar em poucos episódios, resultou em cortes do material original na adaptação e em não aumentarem quase nada. Basicamente o que a direção fez foi um copiar e colar do mangá, dando inclusive os mesmos enquadramentos, sem praticamente melhorias. Em outras palavras, foi uma direção bem preguiçosa, pertencente a um estúdio super lotado, que oferece animações visualmente razoáveis e nada mais.
Essa questão da parte visual é uma decepção, pois apesar de o anime ter belas cenas, confesso que pelo trailer imaginei que seriam algo espetacular. Principalmente nas cenas de luta era onde esperava muito mais aprimoramento, mas a produção estava aquém das minhas expectativas e o que entregaram foi apenas um aceitável. O diretor não melhorou nada nas batalhas em relação ao material original em nenhum sentido possível. Nem com uma trilha sonora mais decente que passasse melhor o drama e desse o clima de impacto. Posso dizer que com esse trabalho de direção que talvez até tenham piorado as lutas, tendo em vista que não souberam dar ápices a altura do potencial que essa história oferece.
O anime censurou consideravelmente o ecchi, diminuindo bastante as cenas, mas o que realmente vai marcar essa obra serão os seios sem mamilos, os quais viraram piada. Isso é irônico e bem inesperado, porque desde o início e o tempo todo o anime é muito violento. O sangue é vermelho e jorrou solto com todo tipo de gore. Claramente não é uma obra para crianças, não vai sair em muitos canais mundo afora e não vai receber uma classificação baixa para justificar certas decisões.
Outra censura que o anime fez foi a omissão de uma piada com um cego, a cena fica estranha porque logo em seguida falam da piada que não existiu no anime. Obviamente censurar apenas algumas coisas é contraditório, deixando isso ser uma clara sinalização de "virtudes" para a agenda do politicamente correto.
Definitivamente história não era o que eu esperava de um anime shounen de batalhas, mas a obra superou em muito as minhas expectativas nisso. Justamente o que eu estava mais receoso demonstrou ser o grande trunfo. Não é uma história extremamente complexa, mas tem subtextos e um bom conteúdo com certa profundidade filosófica e religiosa. A temática principal do anime é a busca pela imortalidade, que aos poucos a obra vai dando contornos e perspectivas próprias. O anime também trata da filosofia do equilíbrio (yin e yang), muito presente na cultura oriental e já retratada diversas vezes em animes, mas nessa obra isso é explorado com profundidade, ousando na relação que tem com os sexos.
Lamentei não ter dado um dez a esse anime por conta de ser uma trama imersiva que merecia um estúdio que a tratasse melhor. O que mais torna envolvente este enredo são os personagens, com seus passados desenvolvidos, com profundidade psicológica, com propósitos, com personalidades que evoluem durante a jornada, com identidades bem distintas, com camadas que vão sendo reveladas, com dimensões que os tornam humanos, e tudo isso é uma combinação para passar muitas emoções. Um dos pontos mais explorados dos personagens são as suas motivações, das quais suas fraquezas podem ser força, isso estando ligado diretamente a filosofia dessa obra, mostrando ser um texto coeso que se autoalimenta, portanto, é uma trama maravilhosamente bem escrita. Outros pontos interessantes abordados sobre alguns personagens são suas determinações para assumir fardos, seus interiores vazios, suas empatias pelas vidas ceifadas, suas dúvidas, seus medos. No mais é uma obra cheia de surpresas, fascinação, suspense e dramas.
Kimi wa Houkago Insomnia — O anime não é tão monótono como temia, mas ainda é bem difícil de ser assistido. Mesmo o romance progredindo, fugindo de clichês, sendo muito belo, tendo personagens carismáticos, e histórias comoventes.
Assistindo apenas um ou dois episódios quaisquer dessa obra, não passam de forma alguma a sensação que é monótona, sobre tudo porque os personagens são bons e é gostoso de ver a relação entre eles. A minha primeira impressão foi positiva e de surpresa, pois eu estava esperando que fosse ser um marasmo. No entanto, o problema é assistir mais episódios, porque dá uma indisposição tremenda. É tipo uma sensação de como se a obra não tivesse mais nada a oferecer.
Está faltando algo para fazer as pessoas a quererem ver o próximo episódio e nesse sentido é maçante. Talvez isso seja pela falta de uma grande problemática para cativar, mesmo que nos momentos que eu estava de fato assistindo não tenha me incomodado com isso. Pode ser que seja porque ver um episódio dá a impressão de como se já soubéssemos de tudo, mesmo que a obra esteja fugindo de clichês. Talvez a falta de cliffhangers nos finais de episódios às vezes façam muita diferença. Não sei ao certo qual é o exato motivo do problema dessa obra, que apesar de ser ótima em alguns sentidos é cansativa em outros.
Acredito que teria funcionado bem melhor se eu tivesse visto dublado. Para esse anime especificamente também recomendo assistir vários episódios de uma vez, pois o torna menos exaustivo do que ver semanalmente. Isso é lastimável, pois é um anime tão belo em tantos sentidos.
Melhor Personagem Masculino da Temporada Spring 2023:
Aquamarine
Melhor Personagem Feminina da Temporada Spring 2023:
Kana Arima
Melhor Design de Personagem da Temporada Spring 2023:
Isekai de Cheat Skill wo Te ni Shita Ore wa, Genjitsu Sekai wo mo Musou Suru: Level Up wa Jinsei wo Kaeta
Parte 1 – Impressões finais da temporada Spring 2023.
Kimetsu no Yaiba: Katanakaji no Sato-hen — No tocante ao visual é espetacular, também tem uma boa direção e dão aos heróis bons desenvolvimentos. Entretanto, ironicamente os vilões transmitiram pouca emoção. Ademais, faltou suspense, apreensão, elos e um clímax extraordinário.
A maioria dos vilões dessa franquia tinham uma história, essa fórmula não é uma regra obrigatória para todos os animes, mas eu senti que nesse título faltou isso. Pois, entre outras coisas, era coerente com a visão que estava sendo construída do protagonista de considerar apenas o Muzan como um vilão de verdade, contrariando a dos outros caçadores que consideravam todos os onis maus e não vítimas. Também faz diferença porque essas coisas tornavam os vilões mais complexos, mais orgânicos e os humanizavam. Outro ponto é que fazia o público ter empatia pelos vilões ou pelo menos tornava mais compreensível as atitudes deles. Não era simplesmente aquele vilão raso que é mal por ser mal. Logo, eles passavam emoção quando estavam perdendo ou mesmo ganhando. Alguém pode dizer que no último episódio mediante um flashback nos instantes finais de um deles foi trabalhado algo assim, mas convenhamos que nos poucos segundos que apareceram essas memórias, não deu para trabalhar nada.
O desenvolvimento dos heróis com dramas instigantes foi bom, mas o modo como isso foi feito é outra história. Não tenho absolutamente nada contra flashbacks, porém é um recurso usado demais na franquia de Kimetsu, e ter os três novos heróis que são desenvolvidos nessa temporada com flashbacks dos seus passados no meio das lutas é no mínimo uma falta de inspiração. O motivo para ser feito exatamente assim, de colocar o flashback justamente no meio da batalha, é que faz a luta se prolongar, a fazendo parecer grandiosa e elevando o clima do conflito. Portanto, pensando nisso até ignoraria sem problemas ser algo repetido, se essas recordações demonstrassem um elo significativo para com as lutas, mas com exceção de uma dessas recordações as outras eram irrelevantes e mesmo a que foi relevante é pouco relevante. Na minha opinião pareceu um trabalho preguiçoso da autora, que simplesmente não tentou encontrar outra forma melhor de contar a história desses personagens.
Se um dos heróis morresse, fosse mutilado, ou pelo menos que o anime nos fizesse acreditar que coisas assim poderiam acontecer, passaria a sensação de consequência, um maior drama e apreensão. Entretanto, confesso que minha maior apreensão era com relação aos figurantes da vila dos ferreiros, o que eu acredito que pela posição deles de figurante não deveria ser. Nessa altura da franquia já está escancarada a prisão na fórmula de que os protagonistas apanhariam muito para no final ficar tudo bem com todo mundo.
Não existindo riscos para os mocinhos, e o anime não se dando ao trabalho de desenvolver pelo menos uma grande antipatia pelos vilões. Como com essas circunstâncias gerar um clímax épico? Talvez poderia ser por meio do suspense? No entanto, para desenvolver um suspense é preciso no mínimo mistérios e poucos são os que restam a serem revelados. Ademais nessa temporada não trouxeram outros grandes mistérios. Piora mais ainda para o climax quando o anime faz comédia ou traz uma áurea alto astral em momentos que deveriam ser delicados.
Dito tudo isso pode parecer que o anime é ruim, porém não. Destaquei as falhas porque poucos falam delas, mas o que tem de bom é realmente excepcionalmente bom. A Ufotabel abala os pilares do entretenimento quando se trata de produção de ponta em termos de áudio e visual. Além disso, o diretor fez milagres acrescentando várias cenas que melhoram absurdamente o material original. No mais, é uma obra que cativa a querer assistir e a continuar assistindo.
Um adendo, essa em tese é a terceira temporada, se desconsiderarmos que fizeram uma temporada com o arco do trem. Ironicamente padece do mesmo mal de Homem-Aranha 3, sendo esse o excesso de personagens, principalmente de vilões.
Dr. Stone: New World — A primeira metade, com exceção do final do episódio três, está abaixo das temporadas anteriores. No entanto, a segunda metade apresentando novos personagens, novos inimigos e desafios, deu uma elevada considerável no anime.
Alguns diziam que esse seria o pior arco do mangá, confesso que independente disso as minhas expectativas eram baixas para essa temporada e o início estava dando indícios que o anime realmente seguiria essa linha. Entretanto, da chegada na ilha em diante o anime mudou bastante e de uma forma que eu não imaginei que gostaria tanto. Surpresas, mistérios, reviravoltas, personagens estilosos e um pouco de fanservice. Só não dei uma nota melhor porque faltou um grande momento deslumbrante, algo que me emocionasse assim como teve nas temporadas anteriores. Por fim, quero deixar registrado o quanto gostaria de romance nessa obra.
Boku no Kokoro no Yabai Yatsu — O romance é bonito, mas é principalmente divertido de acompanhar, bem cativante e aos poucos evolui. Algumas impressões iniciais mudam com o decorrer da trama, pois o roteiro é muito bem escrito. Já os personagens são carismáticos e com identidades.
Uma coisa interessante a se comentar é a “tradução” que fizeram de certa cena para a versão em inglês, adicionando o termo Mansplaining, um encaixe forçado que não tinha no mangá, nem na versão japonesa do anime. Só posso dizer que isso é doença da militância e são exatamente por não ter essas loucuras que as obras japonesas são boas.
A frase era: “ O quê? Eu comecei a explicar moda literalmente para uma modelo profissional? ”. A versão em inglês estava: “ O quê? Eu comecei a mansplaining fashion para literalmente uma modelo profissional? ”. Que nojo da doença americana, que nojo, que nojo.
Outro fato interessante sobre esse anime que vi na internet é de estar sendo acusado por um youtuber conservador de ser um anime yaoi (boys love). Eu não sei mais detalhes dessa acusação, porque assim que ouvi isso desisti do vídeo a fim de manter um pouco de sanidade mental.
O anime sofreu preconceitos, pois a primeira impressão é de ser um romance infantil escolar saturado, e de certa forma isso não está errado. No entanto, a obra é tão bem escrita que o anime consegue não apenas ser bom, mas extrapola em muito a demografia que seria alvo, se tornando um dos melhores animes da temporada. Outro ponto de preconceito foi o protagonista escuro, mas ele não é do mal, como a primeira impressão pode deixar e pessoas precipitadamente possam julgar. Apenas o personagem é mais complexo e problemático do que o habitual.
Para efeito de comparação e entenderem melhor o meu ponto, na temporada anterior a essa saiu um anime de romance chamado Otonari no Tenshi-sama, o qual tem um romance muito singelo, mas é somente isso. Justamente o que faltou em Otonari foi colocado em Boku no Kokoro, posto que para que uma história se torne cativante é preciso uma problemática e de preferência personagens imperfeitos, mesmo que o romance seja puro e os personagens carismáticos. Ademais a relação romântica em Boku no Kokoro vai continuamente evoluindo em seu próprio ritmo, de forma atraente que não pareça ser rápida nem parada. Melhora mais da metade em diante dos episódios, quando o ambiente sai um pouco mais do escolar, demostrando uma progressão na relação do casal.
My Home Hero — A premissa é maravilhosa, mas o desenvolvimento tem vários momentos muito irritantes em função do protagonista que é revoltantemente fraco. Em um momento ele até consegue de maneira interessante superar os problemas, porém até lá é angustiante.
Acreditei que estouraria de popularidade ou que pelo menos com o passar dos episódios aumentaria significativamente, porém isso infelizmente não aconteceu. Julguei que independente da popularidade seria sensacional, mas também não foi. Apesar dos problemas a obra me fez gostar dela a ponto de não me arrepender de ter assistido e de ficar querendo uma segunda temporada que dificilmente haverá, mesmo tendo material para isso. De qualquer modo não desaconselharia, porque o final foi ótimo e é bem fechado.
Vinland Saga Season 2 — Incomoda algumas filosofias e a cena dos cem socos, a qual é melhor no anime, já o diálogo que a segue é melhor no mangá. Entretanto, tirando isso, é uma obra absurdamente primorosa em todos os aspectos que possam ser avaliados.
Essa temporada é melhor que a primeira, posto que ao contrário da anterior se mantém em um nível elevadíssimo durante todo tempo, em todos os episódios e sem precisar ficar apelando para a ação. Inclusive quase sempre também é melhor que o mangá, mérito do diretor que amplia a obra. Temos que bater palmas não somente para a direção, mas para o estúdio, para toda a equipe, para os produtores, para todos os que acreditaram e possibilitaram que esse projeto fosse realizado com muito carinho.
Não concordo com algumas filosofias do anime, pois as considero irreais de um ponto de vista lógico e a luz da história. Entretanto, respeito muito uma obra que tenha algum conteúdo e se proponha a fazer as pessoas pensarem. Outro ponto, admiro que tentem passar uma mensagem positiva de arrependimento, de mudança, de reedificação, de liberdade e de paz. No mais, são pensamentos muito coerentes com o tipo de personagem quebrado e contextualizado ao ambiente que se enquadrava. Conteúdo e complexidade é isso o que espero de uma boa obra direcionada para um público adulto.
A obra tem um grande roteiro e um espetacular trabalho de personagens, é tão grandioso o que fazem nesse sentido que tenho dificuldade em expressar essa magnitude. Os personagens têm arcos completos, complexos, surpreendentes, superadores, instigantes. O fato é que isso resulta em belíssimas, reflexivas e impressionantes cenas dramáticas. Acompanhadas de um espetáculo visual com uma não menos espetacular trilha sonora. Como se não bastasse tem uma direção que sabe oferecer os enquadramentos certos, com tons de cores certas e com o ritmo certo, logo não tem como não se emocionar.
Kubo-san wa Mob wo Yurusanai — O anime é focado em um romance fofo, com pitadas de comédia e algumas problemáticas. A singeleza do romance combinaria melhor com algo mais verossímil e não me agradam os traços de forma geral.
Em tese esse não era para estar nas impressões finais dessa temporada, pois saiu na passada e deveria ter finalizado nela, mas teve problemas de produção e ficou com duas metades. Não me angustiou em assistir tanto à segunda metade quanto pesou a primeira, talvez porque a progressão do roteiro possibilitou isso. Outro ponto são os traços mais puxados para o cartunesco que incomodavam, mas que me desagradavam menos na segunda metade, talvez por eu ter me acostumado. Fato é que a segunda metade é superior à primeira e talvez tudo isso seja por conta que maior tempo de produção tenha dado resultados. Entretanto, a infelicidade do destino é incontrolável, e essa obra tem a mesma dinâmica e muitos elementos parecidos aos do anime Boku no Kokoro, que saiu nessa temporada e é inegavelmente bem superior.
Kono Subarashii Sekai ni Bakuen wo! — O ponto forte é o enredo internamente bem mais coeso do que o da obra original e a Megumin tem seu carisma. No entanto, não tem os mesmos grandes momentos cômicos e alguns encaixes com a obra original parecem forçados.
A Megumim é a menos pervertida e a mais normal do quarteto original. Por isso não tem como oferecerem certas piadas escrachadas em uma trama contendo somente ela desse quarteto e principalmente sem o Kazuma para fazer um par. No entanto, isso não quer dizer que o anime não tenha encontrado outros modos de ser engraçado e de que não tenha fornecido outros personagens para fazerem interações cômicas.
Avaliar é comparar e comparando em questões mais técnicas de produção, visualmente essa temporada parece um pouquinho superior que às duas temporadas da série principal. Também fecha muitas pontas soltas que a franquia tinha deixado e nesse sentido é recomendado para quem seja muito fã. No mais é uma obra com um final bem fechadinho, sem espaço para uma continuação que não seja na sequência principal.
O Kono Suba original sempre demonstrou pouca preocupação com a história e focou nas piadas. Isso me inquietava muito, porque a trama parecia sem rumo, jogada, mal arranjada e as vezes incoerente. Já nessa senti que houve uma direção e uma coesão. Dito isso, teria melhor êxito se não existisse uma obra original, porque onde senti que forçou foi para fornecer fanservice e encaixar coisas da obra original.
O primeiro episódio tem seus pontos positivos, mas dormi nele e foi o que achei mais difícil de assistir. Quase todos os episódios tiveram alguns momentos cativantes, porém somente do meio em diante da temporada foi que apreciei um pouco mais a trama. Sendo assim fiquei bem em dúvida sobre qual nota daria a essa obra, visto que em alguns aspectos é melhor que a original, mas em outros não.
Não é um trabalho que eu ame, que me arrependeria se não tivesse assistido, mas o contrário também é verdade, pois não me arrependo de ter assistido. Injusto acusarem de ruim, é gostoso e a única coisa que achei de fato amargo foram as mortes de dois personagens.
Yuusha ga Shinda! — Tinha muito potencial e há alguns momentos altos, mas no geral não foi como deveria. O principal problema foi que não acertou o timing cômico. Talvez funcionasse com uma comédia mais escrachada e faltaram elementos sérios contrastantes.
Tentaram trazer um humor do tipo Kono Suba, que tem uma fórmula comprovadamente acertada de paródia com fantasia, ação e ecchi. No entanto, fizeram sem uma Aqua, sem uma Megumin e sem uma Darkness, apenas com o Touka que é uma versão um pouco mais virtuosa do Kazuma. Tem um ou outro momento que algum outro personagem além do Touka é utilizado para tentar produzir algo cômico, mas geralmente não funciona e são momentos pontuais de personagens que não fazem um par cômico com o protagonista. Mesmo o Touka, justamente por ser um Kazuma mais correto, nesse quesito cômico só tem resultados ligeiramente aceitáveis da metade em diante do anime.
Logo no início da temporada dei uma olhada no mangá e as piadas funcionavam muitíssimo melhor nele. Não vou exagerar e dizer que o mangá é perfeito, mas se tivesse sido adaptado para anime pela equipe correta, por pessoas que melhorassem a proposta, poderíamos ter tido algo excepcional. Definitivamente precisava de um diretor bom para oferecer principalmente o ritmo certo, o tom certo, explorar as coisas certas e cortar as coisas erradas. A produção também parece ter tido baixo orçamento, pois a obra tem traços comuns, cenários genéricos, cores inadequadas, ausência de trilha sonora em alguns momentos, e carência de mais expressão faciais engraçadas.
Com fazer piadas sem contrastes? Penso que a obra deveria ser mais escrachada, mas deixar isso cômico necessita de uma parte séria. Existe uma falta de contrastes, e não é que não tenha nenhum, apenas não são o suficiente. O herói morto não parece sério, o reino não parece sério, os vilões não parecem sérios, o prefeito não parece sério, os aliados não parecem sérios, quase nada parece sério. Quando tudo é uma piada, nada funciona como uma piada.
Para manter um clima típico de aventura, ao mesmo tempo que nada é tratado a sério, também nada é tratado totalmente como uma piada. Não é só questão de não funcionar porque tudo é piada, é porque tudo é um meio-termo. Tem uma frase bíblica que diz o seguinte: “porque és morno, e não és quente nem frio, vomitar-te-ei”. Ademais essa falta de seriedade também torna toda a trama pouco crível, forçada. Boas piadas são subversivas, inusitadas e inteligentes.
Não vou dizer que foi de todo ruim, visto que o anime tem uma aventura que deixou com um gosto de querer ver onde essa história vai chegar. Outro ponto foi que amei a abertura, pois resume bem a obra e também tem uma ótima música. Além disso, gosto muito de personagens do tipo Jiraiya, ou Mestre Kame, que produzem um humor impoliticamente correto. No mais, o anime tem umas Waifus bem interessantes.
Tonikaku Kawaii 2nd Season — Tem a sua beleza, tem o seu valor, mas nessa temporada as progressões em todos os sentidos foram extremamente lentas. Pior, repetiu as mesmas coisas da primeira temporada, com pequenos escalonamentos, o que obviamente saturou.
Lamento demais não terem entregue algo melhor nessa temporada, porque é uma obra riquíssima pelas inúmeras referências ao conto do Cortador de Bambu, a mais antiga narrativa japonesa. Conto o qual deriva a lenda que deu nome ao monte Fugi. Também não é somente dessas belas raízes lendárias que o romance se sustenta. Pois, oferece novas perspectivas, com novas reflexões e a trama segue mais uma linha de ser uma continuação.
Certas abordagens temáticas já tinham dado tudo o que podiam oferecer na primeira temporada, e escaloná-las ainda mais não era algo interessante, pior ainda é repeti-las escalonando só um pouquinho. A obra precisava ter reinventado a sua problemática, sem perder a sua alma e mantendo um subtexto com conteúdo. O caminho correto para isso era focar nas revelações de alguns dos mistérios e oferecer um aprofundamento das mitologias.
Assisti quase oito episódios legendados e o restante final dublado. Eu não sabia que a dublagem estava sendo simultânea ao lançamento. Foi insuportavelmente maçante assistir legendado, pois a progressão estava sendo lenta e a dinâmica era repetitiva. Chato! Entretanto, melhorou absurdamente ao assistir dublado, porque como eu não tinha que ficar muito atento ao texto podia apreciar a obra mais como uma descontração. Em resumo, é daquele tipo de anime que é feito para só funcionar se for assistido dublado. Logo, a minha experiência ficou comprometida pela forma errada como a consumi.
O Melhor diálogo foi no episódio 11. Nasa pergunta: "por que as pessoas se casam". Tsukasa responde: “… porque ninguém vive para sempre”. Foi algo profundo, foi filosófico, foi inteligente e meio que explica porque uma imortal não tinha se casado ainda. Essas sacadas geniais de conteúdo me dão um sorrisão, são coisas assim que gosto de ver em obras.
Talvez eu esteja sendo muito duro com esse anime, porque tem muitas coisas singelas, belas, inteligentes. No entanto, pesou como o assisti no meu julgamento e não me emocionou a ponto de quase chorar como na primeira temporada.
Tengoku Daimakyou — O mangá já era comedido e sem foco no fanservice, mas o anime multiplicou absurdamente a censura. Está comprometidíssimo com o politicamente correto, isso é profundamente desapontante. No mais, o tom do mundo não combina com apocalipse.
Em um mundo com uma ordem normal estabelecida, certas coisas acontecem cotidianamente, as quais podem e precisam ser abordadas sem amarras. Ainda mais em algo que é direcionado para um público adulto, como deveria ser o caso dessa obra. Mesmo no mangá senti uma fortíssima relutância em quererem abordar a temática sexual, por mais que em um mundo apocalíptico fizesse extremo sentido. É perceptível o medo em fazerem isso pelos poucos momentos que a obra mostra coisas assim, com cenas rápidas e pouco sexuais. Nitidamente dava para ver a preocupação extrema dos criadores de que sua obra pudesse receber críticas e ser rotulada. O que torna o trabalho capado pelo politicamente correto, obviamente incompleto.
O primeiro momento dessa temporada com ecchi, eram de meras imagens de uma garota nua, que no anime foram ainda mais censuradas. De qualquer modo entenderia mudanças pontuais nessa cena, porque estava no início do anime e não podia espantar o público. Também não eram imagens que fariam muita diferença para a trama, e os desenhos da personagem ficaram melhor do que no mangá. Aprovei a mudança principalmente porque mesmo mostrando menos ficou mais sensual.
A segunda cena com ecchi era de preliminares sexuais e novamente no anime houve mais censura, mudando ângulos e mostrando menos dos corpos. Entretanto, esse nem foi o problema e sim que mudaram para um tom bem mais cômico, quando no mangá tinha bem mais sensualidade nessa cena. Não vou dizer que prefiro a adaptação do anime, mas dava para tolerar porque o tom não ficou ruim.
Já o que fizeram com a terceira cena com ecchi é revoltante demais. Não contei os quadros do mangá, mas com um simples olhar por cima dava para perceber que não adaptaram nem a metade. Para aliviarem ainda mais ficaram intercalando com outras cenas, as quais não tinham referência alguma com o que estava acontecendo naquele contexto e pertenciam a outro capítulo mais à frente do mangá. Os desenhos também estavam feios, como exemplo: simplesmente despeitaram a garota, para não mostrarem no espelho os seios dela. Podiam ter pelo menos mudado o ângulo, mas a deixaram com os peitos na barriga e cobertos com um braço. Tudo foi muito rápido no anime para o tamanho que tem essa parte no mangá, logo não passou o peso emocional que deveria para o público, nem a magnitude que esse evento tem para a trama e para os personagens. Alguém muito ultra sensível ou simplesmente alguém que queira lacrar, vai dizer que se chocou, mas a verdade é que a cena no anime não passou quase apreensão e cortou muitíssimo do mais importante que era como a Kiruko estava reagindo aquilo tudo.
Falei bastante das cenas de ecchi, mas elas não foram as únicas que sofreram censuras, as cenas de ação com mais violência também foram censuradas. Uma das que mais senti o impacto dessas alterações foi a cena do barco. Nessa cena no mangá havia um casal namorando, o qual não é mostrado no anime. Isso fez muita diferença, pois a morte desses personagens deixaria a cena impactante, aumentaria o drama, e combinaria com o clima proposto pela obra.
Tem outras alterações que não foram censura, mas que geraram incompreensões ou compreensões equivocadas. Um exemplo é a cena da morte da mãe do Jugo, na qual no anime não diz que o grito do traidor acordou as mulheres. A simples falta dessa frase faz diferença para o entendimento da cena, pois a morte fica sem explicação. O que realmente no mangá passa é que o pai do Jugo pretendia fugir com o seu filho a noite sem a mulher, como ela não permitiria levar o filho foi morta por ele. Um youtuber muitíssimo famoso chegou ao ponto de dizer que quem morreu foi o traidor, e que o pai do Jugo estava fugindo com a mulher.
A única cena que esse diretor mexeu, que talvez seja digna de algum elogio é a cena final do episódio oito. No geral o trabalho desse diretor foi um copiar e colar do mangá, com os ápices profundamente censurados e estragados. Ainda bem que não tenho um caderno da morte, mas com certeza o nome desse diretor vai entrar na minha lista negra e vou correr de qualquer trabalho que ele puser as mãos.
Estou culpando muito o diretor, mas a culpa pode nem ser toda dele, porque quem comprou os direitos de exibição desse anime foi a maldita da Disney e todo mundo sabe como essa organização é ideologizada. Certamente deve ter sido acordado alguma censura prévia com a desculpa de mercado. Minha esperança na humanidade é de que essa desgraça chamada Disney está acumulando prejuízos.
Uma das poucas coisas que eu esperava que a adaptação fizesse e poderia ter feito, era que mudassem um pouco o tom do mundo para algo que aparentasse ser mais apocalíptico. Isso nem seria muito difícil, porque no mangá não tem cores, não tem sons, bastava fazerem as escolhas certas. Se eu fosse o diretor também faria algumas alterações nos cenários e na trama, para que o anime realmente conseguisse parecer que tinha um mundo apocalíptico.
O mangá tem coisas pesadas que poderiam ser muito mais pesadas e precisavam ser mais pesadas. No entanto, o que era para ser uma aventura apocalítica virou um passeio no jardim de infância. Infelizmente o que fizeram foi cortar o pau no mangá e arrancar as bolas no anime. Realmente quem fez a transição de gênero e foi estuprada foi a obra. A arte precisa ter a liberdade poética para ser um reflexo da realidade que muitas vezes é cruel, é trágica, é impactante.
Yamada-kun to Lv999 no Koi wo Suru — Lembro que mesmo apostando nele, desconfiava que seria difícil levarem o anime com essa proposta por doze episódios, mantendo o interesse elevado na obra. Bem, agora que acabou, não acho que foi nada fácil, mas admito que conseguiram.
Por conta da proposta tem momentos que o anime trabalha coisas que em outros animes provavelmente seriam chatas ou vergonhosas, mas é impressionante como essa obra consegue desenvolver essas coisas tão bem. Certamente isso é mérito de um enredo excepcionalmente bem escrito e de um diretor que soube oferecer o ritmo correto para tudo, mas se tem outro fator que devo destacar são os personagens que nos dão muito contentamento. Todos os personagens são ótimos e em especial o casal principal. O protagonista fica muito melhor no final, mas a Akane nos conquista desde os primeiros instantes.
Com personagens jovens demais os romances ficam muito infantis, e é preciso uma maior suspensão da descrença para podermos acreditar que esses personagens teriam a maturidade para agir da forma como essas histórias os conduzem. Já com mais velhos, tendo em vista que pessoas reais mais velhas geralmente são bem diretas nas relações amorosas, o romance poderia perder a magia. Logo, para produzir uma história com personagens assim, é necessária a boa vontade do público em acreditar que a trama seguiria certos rumos. Em virtude desses fatos, optar por fazer um romance com personagens do final da adolescência e início da vida adulta é a escolha que oferece maior verossimilhança.
Não é somente por parecer uma trama mais realista que gostei dessa proposta com personagens de idade meio-termo. Tendo em vista que a maioria dos animes pega personagens novos demais ou velhos demais, pegar um meio-termo possibilita a desenvolver situações menos exploradas. Tais como um romance desconstrutivo e com ótimos finais de episódios que criam expectativas. Além de tudo, esse anime tenta trazer um romance com uma temática mais atual envolvendo jogos online.
Não esperava um romance tão bom desse jeito, sinceramente fazia tempo que via algo desse tipo nesse nível. Superou toda e qualquer expectativa que eu tinha sobre essa obra e merece palmas.
Isekai Shoukan wa Nidome desu — Grande perda de tempo, não tem nada que seja realmente bom, a produção é fraca, a direção é ruim, o roteiro é um lixo. O que mais tem são clichês, incoerências e coisas que dão vergonha alheia.
Tão lixo que não tenho a mínima disposição de escrever mais uma linha se quer sobre esse anime. Também sinto que qualquer coisa que eu escreva após ter dito que é um lixo será desnecessário e meio que redundante. Esse anime é muito medíocre, é uma referência de como uma obra não deve ser feita. Se fosse uma inteligência artificial que tivesse escrito o roteiro não seria tão genérico, tão vergonhoso, tão desconexo, tão imbecil, no mínimo seria inteligente. As garotas não prestam, o protagonista não presta, os vilões não prestam e a produção é mequetrefe. Socorro!
No começo da temporada fui ler o mangá e vi umas piadas boas com ecchi no início dele, mas foram absurdamente censuradas na adaptação para anime e estragou a comédia delas. Por conta disso eu pensei que mais à frente poderiam aparecer cenas interessantes, mas que ledo engano, essa obra é um perfeito combo de ruindades. A única coisa que aparentemente tinha de bom no mangá o anime conseguiu estragar.
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Para quem apontava o Ig0y como mentiroso, parece que o próprio John está assumindo bem o papel.
https://youtu.be/8mkcuJhIQus?si=PGVsiPdJ6VMXjCwu
Uma defesa imerecida, mas necessária.
https://youtu.be/-oAUY3shRFs
Quanto a mangá eu não tenho muito hábito de leitura mesmo, mas tenho muitos que quero ler ainda
Melhor Personagem Masculino da Temporada Spring 2023:
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Melhor Design de Personagem da Temporada Spring 2023:
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Melhores OP de Spring 2023
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